Sobe a tensão eleitoral no Peru com 99,5 % dos votos apurados

Lima, 10 mai 2026 (Lusa) – As eleições presidenciais no Peru atingiram este fim de semana o ponto de maior tensão, com os candidatos de direita, Keiko Fujimori, e esquerda, Roberto Sánchez, a lançarem a campanha para a segunda volta com comícios em Lima.

Ao mesmo tempo, o candidata da extrema-direita, Rafael López Aliaga, que está a 15.000 votos de Sánchez na contagem dos votos, insiste em denunciar, sem provas, uma fraude contra si e ameaça as autoridades eleitorais, caso estas proclamem os resultados, esperados para muito em breve.

Com 99,5 % dos votos apurados, Fujimori tem garantida um lugar na segunda volta da corrida, prevista para 07 de junho, contabilizando 17,17% dos votos válidos escrutinados, enquanto Sánchez soma 11,99% e López Aliaga 11,91%, faltando apurar cerca de 200 atas de Lima, onde o ultraconservador é o candidato mais votado.

Enquanto Fujimori e Sánchez lideravam este sábado comícios marcados pelo Dia da Mãe, López Aliaga realizava outro, também em Lima, para aumentar a pressão sobre as autoridades eleitorais, insistindo na exigência de submeter as eleições a uma auditoria internacional e realizar eleições complementares, com um dia de votação suplementar para quem não pôde votar a 12 de abril.

O candidato e líder do partido Renovación Popular considera que foi deliberadamente prejudicado por problemas logísticos que causaram grandes atrasos na abertura das mesas de voto no dia das eleições em Lima, o seu bastião eleitoral, apesar de as análises realizadas por missões de observação, como a Associação Transparência, concluírem que esses problemas não influenciaram o resultado final.

López Aliaga ameaçou o presidente do Júri Nacional de Eleições (JNE), Roberto Burneo, de o processar judicialmente se proclamasse os resultados, depois de a entidade eleitoral não ter acedido ao pedido para convocar eleições suplementares em Lima.

“Senhor Burneo, o destino do Peru está nas suas mãos. Deus colocou essa missão na sua vida. Conheço a sua família. São pessoas decentes. Não passe para o povo como o criminoso, o traidor da pátria. Reconsidere!, afirmou López Aliaga, que vem a ameaçar a máxima autoridade eleitoral desde há semanas.

Em paralelo, a partir de Huaycán, uma zona populosa da periferia de Lima, Sánchez pediu este sábado o respeito pelo voto do “Peru profundo” perante a iminente proclamação dos resultados das eleições e o provável ambiente de “caos”, que adverte que será gerado pelos perdedores.

O candidato e líder do partido Juntos pelo Peru, que concorre em nome do ex-presidente Pedro Castillo (2021-2022) e que, ao contrário de López Aliaga, concentra os votos nas zonas rurais, anunciou ter lançado um apelo a outros partidos de centro e de esquerda para formarem um “centro patriótico e popular”, que lhes permita constituir “uma coligação sólida”.

Já Keiko Fujimori, filha e herdeira do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), teve um encontro com mães no distrito de San Juan del Lurigancho, em Lima, o maior do país, onde não fez qualquer referência à contagem dos votos nem às queixas de López Aliaga, que a insultou por não o apoiar na narrativa de fraude.

A candidata e líder do partido fujimorista Fuerza Popular lamentou que haja “um Estado em total abandono”, apesar de dispor de mais recursos do que no governo do seu pai. “Faltam poucos dias, faltam poucas semanas, continuemos a fazer esta campanha com entusiasmo, com humildade, com esperança e fé no nosso futuro”, afirmou.

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