
São Tomé, 20 abr 2026 (Lusa) — O sindicato dos magistrados judiciais são-tomenses acusou hoje o parlamento de violar sistematicamente a lei ao excluir, “com critérios duvidosos e manifestamente polÃticos”, uma juÃza graduada para ser promovida ao Supremo Tribunal de Justiça.
“A Assembleia ao graduar os candidatos, por meio de votação individual, usurpou os poderes do Conselho Superior de Magistrados Judiciais (CSMJ), o que é ilegal e ao não nomear uma candidata classificada em primeiro lugar, cometeu injustiça, com responsabilidades individuais e coletivas”, lê-se num comunicado da Associação Sindical dos Magistrados Judiciais Santomenses (Assimajus), enviado hoje à Lusa.
No dia 10, o parlamento são-tomense elegeu as juÃzas Natacha Amado Vaz e Nadjeida Castro para o Supremo Tribunal de Justiça, rejeitando o nome de Kótia de Menezes que ficou em primeiro lugar na lista de graduação enviada pelo CSMJ para a nomeação das três juÃzas.
A Assimajus entende que a exclusão de Kótia de Menezes pela Assembleia Nacional foi “sem qualquer fundamentação jurÃdica lógica e credÃvel”, sublinhando que, segundo a lei, “não assiste a este órgão colegial, a competência para excluir qualquer magistrado da lista de graduação efetuada num concurso público, pois, a nomeação é por lista e não por magistrado”.
Kótia Menezes integrava o Tribunal Constitucional até à destituição pela nova aliança parlamentar, em fevereiro.
O sindicato dos magistrados referiu-se também uma situação semelhante na seleção de juiz para o Tribunal de Contas, no ano passado, em que os deputados optaram pelo terceiro classificado, em detrimento do primeiro.
“A Assimajus, lamenta a violação sistemática da lei e dos mais elementares princÃpios do Direito pela Assembleia Nacional, e manifesta com total preocupação a ingerência clara da Assembleia Nacional nos Tribunais. A Assembleia Nacional, pretende com essas decisões, abrir uma autoestrada de impunidade, de irresponsabilidade e de incumprimento das leis, pois, nenhum cidadão é obrigado a obedecer leis e decisões manifestamente ilegais, muito menos os magistrados que são os aplicadores da lei”, lê-se.
A associação sindical apelou ao Presidente da República, “enquanto garante da Constituição e das leis, ao corpo diplomático acreditado em São Tomé e PrÃncipe, à Comunidade Internacional e a União Internacional de JuÃzes de LÃngua Portuguesa, para que estejam atentos a alteração dos princÃpios do Estado de Direito, perpetrado pela Assembleia Nacional” e apelou também ao Ministério Público, “enquanto defensor da legalidade que, seja aberto o competente inquérito para verificação de possÃveis desconformidades de tais decisões”.
A Assimajus, entende que “tem-se verificado de forma constante ataques à independência dos Tribunais, facto que fragiliza o Estado de Direito, o respeito à s instituições e as figuras do Estado e bem assim ao princÃpio de separação de poderes”, incluindo pelos órgãos de soberania que “preferem atacar juÃzes, pondo em causa a sua carreira”.
A associação apela “a todos os magistrados judiciais, para que não se deixem abalar pelas tentativas de intimidação por parte de grupos e interesses polÃticos, e muito menos pela clara e flagrante ingerência do poder polÃtico nos tribunais”, lê-se no comunicado.Â
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