Sindicalistas e colegas de guarda-freio homenagearam vítima do descarrilamento do elevador da Glória

Lisboa, 03 set (Lusa) – Sindicalistas e colegas do guarda-freio André Marques, uma das 16 vítimas do descarrilamento do elevador da Glória há um ano, depositaram hoje uma coroa de flores e guardaram um minuto de silêncio na Calçada da Glória, junto aos Restauradores, em Lisboa.

No pilarete à entrada da Calçada da Glória, que denomina o ascensor da Glória como Monumento Nacional, desde 1997, foi depositada a coroa de flores do STRUP-Fetrans que promoveu a homenagem ao guarda-freio da Carris.

No local estiveram presentes as organizações representativas dos trabalhadores da Carris, bem como alguns trabalhadores, além do secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, o presidente da Fectrans, José Manuel Oliveira, e o deputado municipal do PCP, João Ferreira.

Manuel Leal, do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP) lembrou todas as vítimas do acidente de há um ano e, em particular, “do colega André Marques, o guarda-freio, que também perdeu a vida neste trágico acidente”.

“Muito haverá ainda por dizer em relação ao apuramento das causas e à procura de soluções que impeçam ou que minimizem ao mínimo as circunstâncias para que uma nova tragédia possa acontecer”, afirmou, lembrando, no entanto, não ser esse o momento.

Seguiu-se depois um minuto de silêncio e a deposição de uma coroa de flores brancas e de um ramo de flores amarelas.

Aos jornalistas, João Ferreira disse que não poderia deixar de estar presente na cerimónia “feita pelos trabalhadores, pelas organizações representativas dos trabalhadores”, lembrando ser “justo reconhecer que, ao longo deste ano, se tem envolvido também e tem juntado a sua voz a uma exigência mais ampla, que é, no fundo, que se cumpra um dever para com estas vítimas”.

“O primeiro e fundamental dever que nós temos para com elas é termos um apuramento rigoroso, completo, cabal, daquilo que aconteceu, as causas do acidente, as responsabilidades pelo acidente. E é forçoso constatar que passou um ano e esse processo não está terminado”, disse o vereador municipal.

João Ferreira lembrou que repete as declarações que fez há um ano, aquando do acidente, frisando tratar-se de um acidente “que nunca deveria ter acontecido”.

“Infelizmente, um ano depois, nós constatamos que quem não tomou todas as medidas para que o acidente não acontecesse e que estava obrigado a ser irrepreensível na resposta ao acidente, também no apoio às vítimas e aos seus familiares, infelizmente não terá assegurado todo o apoio que se esperaria que tivesse sido prestado”, afirmou, aludindo a Carlos Moedas.

João Ferreira frisou também o facto de terem sido tomadas “decisões importantes” na Câmara Municipal de Lisboa que visavam não só garantir o apoio total às vítimas, mas também de investigação das causas do acidente e de apuramento de responsabilidades, e medidas para que acidentes deste tipo não voltassem a acontecer.

“[Foram] decididas medidas que, um ano depois, estão por concretizar”, apontou, considerando que algumas medidas “foram iniciadas muito tarde”, exemplificando com auditorias anunciadas “que só se iniciaram mais de seis meses depois e que hoje não estão concluídas ainda”, além de medidas que, “pura e simplesmente, não saíram do papel”.

João Ferreira criticou a forma como foram desmantelados “recursos e competências na área da manutenção” da Carris e a externalização desses serviços.

Questionado sobre a ausência na cerimónia de inauguração do memorial às vitimas do descarrilamento do elevador da Glória, ao início do dia, no Largo do Oliveirinha, João Ferreira disse “não ser uma questão importante” no dia que hoje se assinala, mas reconheceu que os vereadores municipais foram informados de que a iniciativa envolvia várias entidades, “mas que não era suposto os membros do executivo municipal da oposição estarem presentes”.

No Largo do Oliveirinha, a meio da Calçada da Glória, foi colocada uma oliveira de 150 anos e 16 blocos em calcário que assinalam hoje o primeiro aniversário sobre o descarrilamento na Glória, que fez 16 mortos e 24 feridos de 15 nacionalidades.

RCP // JLG

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