Seguro de cravo vermelho na lapela na estreia em sessão solene do 25 Abril que assinala revolução

Lisboa, 25 abr 2026 (Lusa) — O Presidente da República chegou hoje ao parlamento de cravo vermelho na lapela, para a sessão solene do 25 de Abril, com representantes da CGTP e UGT nas galerias numa altura em que se debate o futuro do trabalho.

Na sua estreia enquanto chefe de Estado numa sessão solene da revolução dos cravos, que decorreu há 52 anos, António José Seguro chegou ao parlamento à hora prevista no cerimonial, pelas 09:45, e saiu do carro já de cravo ao peito, acompanhado pela mulher, Margarida Maldonado Freitas, que surgiu de vestido vermelho.

Acompanhado pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o comandante supremo das Forças Armadas fez a revista aos militares presentes em parada, e entoou o Hino Nacional.

Em contraste, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que chegou momentos antes, escolheu não trazer consigo a flor que ficou ligada à revolução de 1974.

Em sentido contrário, alguns membros do executivo liderado por Montenegro foram entrando na Sala das Sessões com cravos na mão ou na lapela, como foi o caso dos ministros das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e da Administração Interna, Luís Neves, bem como o secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro.

Nas galerias, onde já se sentavam alguns capitães da revolução, como o coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, assistiram também à sessão os secretários-gerais das centrais sindicais: Tiago Oliveira, da CGTP-IN e Mário Mourão, da UGT.

Esta presença ganha maior relevância numa altura em que as duas centrais rejeitaram as alterações à lei laboral propostas pelo Governo. A CGTP chegou mesmo a defender que esta data e o 1.º de Maio devem servir como protesto contra a intenção do executivo.

No hemiciclo, além dos cravos vermelhos distribuídos pelos lugares e os que os deputados escolheram trazer consigo, a bancada do Chega optou por cravos verdes. Já o líder do partido, André Ventura, sentado no centro do hemiciclo em de no seu lugar de deputado, não trazia qualquer flor.

O antigo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa também esteve presente e foi cumprimentando quem chegava antes de ocupar o seu lugar no plenário.

Como foi sendo habitual enquanto era chefe de Estado, chegou ao parlamento sem cravo mas quando se sentou na galeria reservada levava um na mão.

Também o presidente da Assembleia da República colocou um cravo na lapela mais perto do início da cerimónia.

Na sala de visitas do presidente da Assembleia da República, Marcelo foi muitas vezes o primeiro a cumprimentar quem chegava, antes dos líderes parlamentares, algo que aconteceu quando o primeiro-ministro e a mulher, Carla Montenegro, entraram na sala.

No mesmo local, momentos mais tarde, juntou-se António José Seguro, que aproveitou para estar alguns minutos a conversar com o chefe do executivo.

Ao contrário da sessão que assinalou os 50 anos da aprovação da Constituição da República, desta vez Marcelo Rebelo de Sousa não esteve sozinho na galeria reservada a antigos chefes de Estado e altas entidades no plenário.

Ao seu lado, sentou-se Carla Montenegro, vestida de preto, que ainda trocou algumas palavras com a mulher do chefe de Estado, Margarida Maldonado Freitas, de vermelho.

Na mesma galeria esteve também Manuela Eanes, mulher do antigo Presidente da República, general Ramalho Eanes, que não participou nas cerimónias, assim como Assunção Esteves, ex-presidente do parlamento, de cravo vermelho na lapela, e o novo presidente da Conferência Episcopal, Virgílio Antunes.

Entre os antigos presidentes da República, também Aníbal Cavaco Silva faltou à sessão solene do 25 de Abril.

À medida que a hora do início da sessão se ia aproximando, marcada para as 10:00, vários foram os convidados a chegar ao parlamento, incluindo os chefes militares dos três ramos, os presidentes dos tribunais superiores, o novo governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, os conselheiros de Estado Alberto Martins, Carlos César e Leonor Beleza, ou o coordenador do BE, Manuel Pureza.

 

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