
Cairo, 08 mar 2026 (Lusa) – O secretário-geral da Liga Árabe apelou hoje ao Irão que corrija o “gigantesco erro estratégico” de atacar diversos Estados da organização em resposta à intervenção militar dos Estados Unidos e Israel de 28 de fevereiro.
Numa intervenção por videoconferência na assembleia dos ministros árabes dos Negócios Estrangeiros reunidos hoje no Cairo, Egito, Ahmed Aboul Gheit defendeu que a “perigosa escalada iraniana contra objetivos civis” na região do Golfo Pérsico é “temerária, injustificada e representa um grave erro de cálculo que tem de reconsiderar imediatamente”.
“Esta injustificada agressão reflete um entendimento confuso e isola ainda mais o Irão durante este período difícil e delicado”, salientou o secretário-geral da Liga Árabe, citado por várias agências internacionais.
Ahmed Aboul Gheit acrescentou que os ataques iranianos, que qualificou de irresponsáveis, “não podem ser justificados por nenhum pretexto ou desculpa”, assegurando que os países árabes não participaram na guerra do Estados Unidos e Israel contra o Irão e declararam expressamente que os seus territórios e espaços aéreos não serão usados para operações militares.
O Irão atacou hoje uma instalação de dessalinização no Bahrein, fundamental para o abastecimento de água potável nos desertos áridos do Golfo Pérsico.
O ataque surgiu depois de, no sábado, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, ter revelado que um ataque aéreo dos Estados Unidos danificou uma instalação de dessalinização iraniana na ilha de Qeshm, falando num precedente criado.
O exército norte-americano não reconheceu o ataque.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khameini, líder supremo do país desde 1989.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre e na Turquia.
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