
Novos dados revelam que os enfermeiros canadianos nunca fizeram tantas horas extra como na atualidade. Muitos deles pensam, por isso, em deixar a profissão.
À medida que as urgências em algumas regiões do Canadá reduzem o horário de funcionamento devido à escassez de pessoal, os analistas alertam que o sistema está a falhar. Dados da Statistics Canada mostram que o aumento das horas extra feitas pelos enfermeiros é anterior à pandemia e só tem vindo a piorar.
Outros dados confirmam que os enfermeiros estão a trabalhar de mais. Em julho, um enfermeiro médio que já fazia horas extra trabalhou nove horas a mais, o valor mais alto desde os primeiros meses da pandemia.
Embora o chamado ‘overtime work’ entre todos os profissionais de saúde tenha aumentado acentuadamente após março de 2020, a taxa estabilizou-se entre os funcionários que não são enfermeiros. A proporção de enfermeiros que fazem horas extra, no entanto, continua a subir.
De acordo com a Federação Canadiana de Enfermeiros, a dependência de horas extra para preencher a escassez de pessoal tem tido um efeito prejudicial na profissão. O organismo fala num “círculo vicioso” que tem de acabar.
A organização adianta que a falta de enfermeiros já era visível antes da pandemia. Já em 2019, um terço dos enfermeiros registados – que compõem a maioria da força de trabalho de enfermagem – tinham mais de 50 anos e muitos estavam próximos da reforma.
Uma pesquisa recente com os membros da federação descobriu que 94% dos entrevistados sofrem de ‘burnout’.
Os enfermeiros mais jovens são os que mais pensam em abandonar a profissão. Muitos ponderam deixar postos de trabalho em tempo integral para trabalhar em agências onde têm melhores horários e salários.
A quantidade de horas extra exigidas é particularmente alta em Nova Scotia, New Brunswick, Saskatchewan e British Columbia (B.C.).



