
Um controverso projeto de lei do Governo de Ontário contribuiu para a crise de pessoal no setor da saúde da província. A revelação é feita em documentos internos, agora divulgados na imprensa canadiana.
A legislação de restrições salariais de Doug Ford contribuiu para a crise de pessoal no sistema de saúde de Ontário. É o que revelam documentos internos entregues ao ministro da Saúde.
A responsabilidade foi admitida em notas preparadas para Sylvia Jones em 2022, depois de ter sido nomeada ministra da Saúde, e obtidas pela imprensa através de um pedido de liberdade de informação.
As notas constam de um documento de transição, que é feito para informar um novo ministro sobre o funcionamento interno do ministério, estruturas de tomada de decisão e questões-chave que devem ser abordadas.
Numa parte do documento sobre “questões de retenção” no sistema de saúde, é dito que “a disparidade salarial decorrentes do Projeto de Lei 124” contribuiu para a crise dos recursos humanos, juntamente com as discrepâncias dos ordenados.
Noutra nota informativa, o ministério reconhece que os problemas de pessoal na saúde de Ontário pioraram durante a pandemia.
“A escassez de recursos humanos de saúde é anterior à pandemia; no entanto, a escassez de enfermeiros e trabalhadores de apoio pessoal piorou”, diz um slide criado para a ficha de transição da ministra da Saúde.
Os salários – especialmente de trabalhadores de apoio pessoal – são identificados várias vezes nos documentos como fatores que contribuem para problemas de pessoal no setor de saúde da província.
Uma nota informativa separada, sobre a recuperação cirúrgica pós-pandémica de Ontário, admite que “as disparidades salariais também estão a causar uma escassez [de profissionais de saúde] de atendimento domiciliar”.
Questionado pela imprensa sobre as afirmações, o Ministério da Saúde de Ontário dá uma resposta genérica.
O organismo diz que “os desafios enfrentados pelo sistema de saúde não são exclusivos de Ontário”. “Embora ainda haja mais trabalho a fazer”, diz o Ministério, os primeiros resultados mostram que o Governo provincial está a fazer progressos na “construção de um sistema de saúde mais forte.”
