Santo Cristo de Toronto: Procissão arrasta multidão pelo centro da cidade

FOTO CMCTV
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A tradicional procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres de Toronto voltou a arrastar uma multidão pela baixa da cidade. Contamos agora as histórias de fé e devoção ao Santo Cristo.

O Senhor Santo Cristo dos Milagres arrastou uma multidão no seu cortejo pelo centro da cidade de Toronto no Canadá. A Procissão canadiana é inspirada na festa do Senhor Santo Cristo dos Açores, que já acontece na cidade de Ponta Delgada desde o século XVIII. Em Toronto, a procissão é realizada desde 1966.

As festividades iniciaram com uma missa na Igreja de Santa Maria de Toronto. Vários sacerdotes luso-canadianos estiveram presentes. A celebração também contou com o arcebispo de Toronto Robert Kasun.  Logo em seguida, a procissão foi iniciada. A imagem do senhor Santo Cristo saiu da Igreja por volta das 3 e meia da tarde sob forte emoção do público. O andor foi carregado pelos membros da irmandade do Senhor Santo Cristo de Toronto. Um dos que tiveram a honra de levar a imagem foi Herculano Medeiros. Herculano participa do rodízio de carregadores desde a primeira procissão em Toronto. Muito emocionado, relatou a emoção e a dor de carregar o andor de mais de mil quilos.

“Tem vezes que o coração dá uma dor tão forte. É como se fosse um raio que vem do céu e entra no peito. Mas a gente fecha o olho e vai em frente”, relatou Herculano.

À frente do andor, crianças vestidas de anjo carregavam símbolos da Paixão de Cristo. A Coroa de espinho, o martelo e os pregos que prenderam Jesus à cruz, a esponja embebida em vinagre oferecida a Cristo por um soldado romano, e a tabuleta de quatro letras que teria sido colocada acima do corpo de Jesus na cruz, “JNRJ”, Jesus Nazareno, Rei dos Judeus.

Em seguida, outras crianças levavam sete estandartes com frases que, segundo o Novo Testamento, Jesus Cristo teria dito durante a crucificação. A primeira criança carregou o pedido de perdão de Cristo aos seus próprios carrascos. “Pai, Perdoai-lhes”. A última criança trouxe a derradeira frase dita por Cristo antes da morte: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Os açorianos têm uma relação muito próxima ao Senhor Santo Cristo. É uma ligação forte e quase indissociável. Não há um açoriano que não tenha pelo menos uma história a contar sobre o santo.

Uma delas é a Dona Maria de Ponta Delgada. “Sabes como é que me chamo? Sou Maria do Santo Cristo. Nasci duas semanas antes das festas dele. Agradeço muito à minha mãe o nome que ela me deu.”

Do topo do seu andor, o Senhor Santo Cristo escutou as preces, os pedidos e os agradecimentos de milhares de luso-canadianos que fizeram questão de passar o sexto Domingo da Páscoa ao seu lado.

Laura Abrão veio em busca de um milagre: a cura de uma sobrinha com cancro.

“Eu estou aqui a fazer a promessa por ela. O Senhor Santo Cristo faz muitos milagres e eu estou a pensar que ela há de fazer um milagre à minha sobrinha.”

Ao lado da filha e do neto, Gorete Raposo anda descalça no asfalto quente. Ela participa desta forma há 34 anos, um agradecimento pela vida da filha, que quase morreu quando era bebé.

“Eu pedi e ele me ajudou. É a fé que eu tenho, por isso eu venho todas as vezes”.

O padre Lúcio Couto e o arcebispo de Toronto caminharam logo à frente do Andor.

O Reverendíssimo Robert Kasun elogiou a procissão.

“Eu acredito que a igreja católica de Toronto precisa de mais atividades assim para manter essas belas tradições étnicas da nossa comunidade.

O padre Lúcio Couto lembrou a importância do Santo Cristo para os açorianos. “Não há lugar do mundo em que o Santo Cristo não esteja presente no coração dos açorianos. É uma das riquezas que não podemos de maneira nenhuma esquecer”, afirmou o sacerdote

Brian Soares faz parte da comissão que organiza a procissão. Para ele, manter viva a tradição da Festa do Senhor Santo Cristo em Toronto é uma questão de família.

“O meu pai e os meus tios estiveram envolvidos na organização. Nós não queremos ver isso acabar. Para manter as tradições daqueles que vieram antes da gente. A comunidade precisa apoiar as festas e apoiar as bandas. Eu sei que a vida no Canadá é muito dura, estamos sempre a trabalhar, mas precisamos tomar tempo para coisa que são importantes para nossa história, para mostrar à cidade a nossa história.”