
Macau, China, 12 mar 2026 (Lusa) – Santa Maria da Feira e Matosinhos participam este mês na Festa Internacional da Cidades de Gastronomia de Macau, cujo orçamento foi reforçado devido ao impacto da guerra no Irão na aviação, foi hoje anunciado.
Santa Maria da Feira, Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO desde 2021, regressa ao evento na região chinesa, que se realiza entre 20 e 29 de Março, disse aos jornalistas a diretora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, à margem da conferência de imprensa de apresentação do evento.
De Santa Maria da Feira vão estar em Macau as ‘chefs’ Elisabete Miranda e Clara Santos, de acordo com a DST, que notou ainda que Matosinhos, na lista da UNESCO apenas desde outubro, estreia-se nesta edição, embora não esteja representada por ‘chefs’ daquela cidade.
Ainda do universo de língua portuguesa, complementou Senna Fernandes, estão representadas as cidades brasileiras de Belém, Belo Horizonte, Florianópolis e Paraty.
“Até à data, o número de cidades participantes já ultrapassou os das edições anteriores, atraindo quase 40 cidades de todo o mundo, incluindo oito cidades que receberam a designação no ano passado”, declarou a responsável, durante a conferência de imprensa, notando que 2026 marca o 10.º ano da classificação de Macau como Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO.
Para este ano, o evento vai contar com um orçamento de “aproximadamente 31 milhões de patacas [3,3 milhões de euros]”, o que representa um acréscimo de mais de três milhões de patacas (320 mil euros) em relação à edição anterior, o que Senna Fernandes justificou com o impacto da guerra do Irão nas ligações aéreas.
“Convidámos diferentes personalidades, convidámos chefes de outras cidades. Só bilhetes de voo aumentaram no orçamento”, indicou.
Demonstrações culinárias, debates académicos e intercâmbios sobre a preservação do património gastronómico são alguns dos eventos em destaque nesta festa, que este ano transpõe o recinto da Doca dos Pescadores e estende-se ainda à área dos Novos Aterros do Porto Exterior (NAPE), mais precisamente às ruas de Cantão e de Xangai.
“O objetivo passa por aproveitar os efeitos sinergéticos de um grande evento, aumentar a visibilidade da zona da NAPE e dinamizar conjuntamente a vitalidade económica da comunidade”, notou Helena de Senna Fernandes.
Vários casinos encerraram as portas, no ano passado, nesta zona e na vizinha ZAPE (Zona de Aterros do Porto Exterior). Outrora animadas por jogadores, estas áreas começaram a receber menos pessoas, com casas de penhores e lojas de produtos de luxo vazias.
A DST disse à Lusa, no final de 2025, que queria atrair visitantes para esta área, de forma a apoiar o comércio local. Entre as medidas para o fazer, referiu, incluíam-se a realização de eventos e melhorias na paisagem urbana.
O programa desta edição da Festa Internacional da Cidades de Gastronomia de Macau inclui ainda a Avenida de Gastronomia Internacional, com cem bancas de comida: 28 de cidades do interior da China (Chengdu, Shunde, Yangzhou, Huaian, Chaozhou e Quanzhou), 32 de cidades das Américas, África e Ásia, e 40 bancas de Macau.
Além disso, ‘chefs’ de 25 cidades criativas de gastronomia irão realizar 53 demonstrações culinárias.
Este ano, irão estrear ainda o Lounge de Vinhos Mundiais e o Mercado Internacional de Produtos Gastronómicos de Excelência, “demonstrando a diversidade da cultura gastronómica de cada uma das Cidades Criativas de Gastronomia e o charme do “turismo + gastronomia” de Macau, enriquecendo a experiência dos visitantes”, reforçou a DST.
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