Rússia disposta a fornecer hidrocarbonetos a países europeus se pedirem – Putin

Moscovo, 09 mar 2026 (Lusa) – O Presidente russo declarou-se hoje disposto a fornecer petróleo e gás aos países europeus, se estes declararem apoiar uma “cooperação sustentável e estável” com Moscovo, num contexto de encarecimento devido à guerra no Médio Oriente.

“Estamos prontos para trabalhar com os europeus, mas precisamos de que eles nos deem indicações de que estão preparados e dispostos”, afirmou Vladimir Putin, numa reunião governamental dedicada à situação no mercado de hidrocarbonetos.

“Se as empresas europeias, os compradores europeus, decidirem subitamente reorientar-se e garantir-nos uma cooperação duradoura e estável, desprovida de considerandos políticos (…) Nunca recusámos”, acrescentou.

Durante anos, a Rússia foi um dos principais fornecedores de petróleo e gás aos Estados-membros da UE, particularmente à Alemanha e aos países da Europa de Leste, antes de a maioria deles se afastar dos hidrocarbonetos russos, após o início da guerra russa na Ucrânia, a 24 de fevereiro de 2022.

O setor russo dos hidrocarbonetos é alvo de múltiplas sanções ocidentais, e duas das suas principais condutas de exportação para a Europa estão atualmente fora de serviço: os gasodutos Nord Stream, sabotados por um comando ucraniano em 2022, e o oleoduto Druzhba, que atravessa a Ucrânia, danificado em janeiro deste ano por um ataque aéreo russo e no centro de um braço-de-ferro entre Kiev, Budapeste e Bratislava.

A partir de 2022, a Rússia reorientou uma parte das exportações para outros mercados, como a Índia, a Turquia e a China.

Sobre a Europa, Putin afiançou que a Rússia vai continuar a fornecer, em qualquer caso, a Hungria e a Eslováquia, que classificou como “parceiros de confiança”.

Os preços do petróleo e derivados dispararam desde o início da campanha de bombardeamentos maciços dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, que também teve impacto nos países exportadores do golfo. Hoje, o petróleo ultrapassou os 100 dólares (86,31 euros) por barril.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, motivado pela inflexibilidade do regime político nas negociações sobre o enriquecimento de urânio no âmbito do programa nuclear iraniano. Teerão afirma que aquele programa se destina apenas para fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.

Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos, entre os quais Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989.

ANC // EJ

Lusa/Fim