Rotas árticas poderiam reduzir as distâncias comerciais em até 40% – estudo

Madrid, 25 abr 2026 (Lusa) — As rotas do Ártico surgiram como alternativa às rotas marítimas tradicionais devido à sua capacidade de reduzir as distâncias comerciais em 20 a 40%, embora o seu potencial seja limitado nos próximos cinco anos, conclui um estudo.

De acordo com um estudo da seguradora de crédito empresarial Coface hoje divulgado, o potencial comercial dessas rotas permanecerá limitado nos próximos cinco anos, apesar das mudanças nas condições de navegação devido às alterações climáticas.

Essas alternativas comerciais surgem num momento em que o conflito no Médio Oriente e o bloqueio do Estreito de Ormuz estão a interromper o comércio global, evidenciando a vulnerabilidade dos principais corredores marítimos.

O transporte marítimo representa 80% do comércio global e depende de um número limitado de corredores estratégicos, o que o torna particularmente vulnerável a crises geopolíticas como a atual.

As principais limitações identificadas pela Coface para as rotas do Ártico são operacionais, o menor porte das embarcações e os custos no Ártico, que as impedem de competir com as economias de escala tradicionais.

Assim, dentro de cinco anos, as rotas do Ártico captariam apenas cerca de 3,5% do comércio entre a Ásia, a Europa e a América do Norte.

Embora não sejam uma alternativa viável ao transporte marítimo de contentores, essas rotas podem, ainda assim, oferecer vantagens significativas para certos fluxos de mercadorias (incluindo petróleo bruto e gás), particularmente as exportações dos EUA e do norte da Europa para a Ásia.

Este estudo demonstra que a maior viabilidade económica dessas rotas reside no transporte de cargas a granel — especialmente petróleo bruto, diesel, metanol ou GNL — com economia de custos de até 45% ou 50%, enquanto o transporte marítimo de contentores permanece pouco competitivo.

Cargas sólidas a granel — grãos, minerais ou materiais de construção — também se podem tornar competitivas, mas principalmente quando os navios puderem operar sem escolta de quebra-gelo.

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