Romarias canceladas: Associação do movimento de São Miguel anuncia

FOTO: Associação Movimento de Romeiros de São Miguel| facebook
FOTO: Associação Movimento de Romeiros de São Miguel| facebook

As romarias quaresmais de São Miguel, nos Açores, foram novamente canceladas por causa da pandemia. A decisão foi tomada em assembleia geral extraordinária da Associação do Movimento de Romeiros de São Miguel.

O rancho dos emigrantes da Bermuda, América e Canadá, vai falhar a peregrinação a pé, de uma semana, que estaria marcada na ilha de São Miguel. A romaria, uma das maiores manifestações públicas da fé e devoção do povo açoriano, é uma caminhada que cada um faz a rezar, em silêncio ou cantando a uma só voz. A falta de comparência tem a ver com o cancelamento forçado da Romaria, anunciado, por causa da pandemia da Covid-19.

Para os organizadores da tradicional viagem, no Canadá coordenada pela Igreja de Santa Maria em Toronto, será novamente um momento dedicado à oração e à renovação da fé, sem o sacrifício e a penitência nos Açores.

Já é este o segundo ano consecutivo que a pandemia obriga ao cancelamento e cerca de 2500 homens, porque só eles podem participar, ficam impedidos de percorrer as estradas da ilha açoriana de São Miguel.

“Inúmeras famílias a rezarem pelos romeiros e estes pelas famílias; o acolhimento nas paróquias; a entreajuda entre grupos de homens sem atender à profissão ao estatuto social, tudo isso fica diminuído”, lembra João Carlos Leite.

O presidente da Associação Movimento de Romeiros de São Miguel destaca que “o intercâmbio das famílias também fica cancelado”.

“Há famílias que quando os seus romeiros estão na rua não dormem, levantam-se de madrugada para levar o pequeno-almoço, para dizerem presente. Há teias de amizade entre famílias que se tecem no movimento. Não se trata só da caminhada física, que é cancelada; é o intercâmbio das famílias que fica adiado”, explicou ao ‘Igreja Açores’, site online informativo da Diocese de Angra do Heroísmo.

As romarias quaresmais de São Miguel completam 500 anos este ano e tiveram a origem na sequência de terramotos e erupções vulcânicas registados no século XVI na ilha, que arrasaram Vila Franca do Campo e causaram grande destruição na Ribeira Grande.