
Vale de Cambra, Aveiro, 04 abr 2026 (Lusa) — O Centro de Artes e Espetáculos de Vale de Cambra (CAE) vai celebrar o seu primeiro aniversário com uma programação especial que inclui um concerto ilustrado com Rodrigo Leão e uma mostra fotográfica de Augusto Brázio.
De terça-feira até ao dia 18, o equipamento cultural do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, que abriu ao público a 10 de abril de 2025, mediante um investimento na ordem dos 3,8 milhões de euros, vai apresentar ainda um espetáculo comunitário de canto coletivo dirigido por Diana Castro, nas antigas instalações da fábrica de laticínios Martins & Rebello, uma peça de teatro com texto de Ana Markl e um café-concerto pela harpista espanhola Angélica Salvi.
“O primeiro ano de atividade do CAE veio confirmar a importância do investimento realizado pelo Município num equipamento cultural desta dimensão: em pouco tempo, tornou-se um espaço central para a vida cultural de Vale de Cambra, aproximando públicos, criando novas oportunidades de acesso à cultura e reforçando a dinâmica do concelho”, declara à Lusa a vereadora Mónica Seixas, em referência ao território de 147,3 quilómetros quadrados e cerca de 26.000 habitantes.
A autarca do executivo liderado pelo CDS-PP realça ainda que esse equipamento tem permitido desenvolver “um trabalho consistente com escolas, associações, artistas e comunidade, contribuindo para a formação de públicos e para uma participação cultural mais ativa”, o que considera “essencial para garantir que a cultura chega a mais pessoas e faz parte do quotidiano da população”.
O diretor artístico do CAE, João Aidos, não indica qual foi a afluência registada neste primeiro ano de funcionamento, mas declara: “Os resultados são muito positivos, não apenas pela adesão que tivemos, mas sobretudo pela forma como o CAE começou a fazer parte da vida das pessoas. Hoje, sentimos que há públicos que regressam, que acompanham a programação, que recomendam este espaço a outras pessoas e que o reconhecem como um lugar próximo e relevante”.
O concerto do compositor e pianista Rodrigo Leão com o multi-instrumentista Gabriel Gomes e ilustrador António Jorge Gonçalves é precisamente a 10 de abril, à noite, na data exata do aniversário. Sob o tema “A luz dos dedos”, o espetáculo vai combinar ilustrações ao vivo com temas que Rodrigo Leão compôs para bandas como Sétima Legião, Madredeus e Os Poetas, e apresentará ainda algumas das suas obras mais recentes.
Na véspera, António Jorge Gonçalves também dirige a ‘masterclass’ “Desenhar do Escuro”, que analisará o papel da luz e da escuridão na composição de imagens, em géneros como o desenho, a pintura, a fotografia e o cinema.
A 12 de abril, o palco passa para a fábrica que a autarquia prevê transformar no Museu Nacional dos Laticínio. Em causa está o espetáculo “Soma”, cuja sinopse explica: “Aberta a participantes com ou sem experiência musical, a iniciativa não exige audições nem conhecimentos prévios de leitura musical. Antes do encontro, os participantes recebem uma canção que serve de base ao trabalho desenvolvido em conjunto. A sessão começa com exercícios simples de preparação vocal e segue com o ensaio de um arranjo criado especificamente para o grupo. No final, todos interpretam a canção em harmonia, num momento de criação partilhada”.
O dia 12 de abril está depois reservado para a inauguração da mostra “Viagens na Minha Terra”, em que Augusto Brázio reúne pela primeira vez fotografias capturadas em diferentes pontos do território português, para, até 11 de julho, propor com essas imagens “uma reflexão sobre o país, o território e o próprio ato de ver”.
No mesmo dia há também o café-concerto com a harpa de Angélica Salvi, radicada em Portugal desde 2011, que irá cruzar improvisação, música contemporânea e experimentação sonora.
A programação do primeiro aniversário encerra a 18 de abril com a peça “Insegura — uma tragédia de enganos”, que, com texto de Ana Markl e encenação de João Amorim, será protagonizada por 15 atrizes do Grupo de Teatro Juvenil do CAE Vale de Cambra. Este coletivo que foi criado no ano passado na sequência de uma chamada aberta à comunidade, na sua peça de estreia explora temas como “amor, vulnerabilidade e proteção emocional”.
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