Reis Cabral diz que principal homenagem que Lobo Antunes teve foram os leitores

Lisboa, 07 mar 2026 (Lusa) – O escritor Afonso Reis Cabral defendeu hoje que a principal homenagem que António Lobo Antunes teve em vida foram “os leitores e a leitura”, assinalando a natureza revolucionária da escrita do autor falecido na quinta-feira.

“Portugal prestou-lhe imensas homenagens e a principal delas é os leitores e a leitura, e isso teve [em vida], o que também é raro”, disse Afonso Reis Cabral, à chegada à missa de corpo presente, que começou pelas 12:00 na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

Salientando que cresceu a ler e admirar António Lobo Antunes, Afonso Reis Cabral destacou ainda a natureza “completamente revolucionária e nova” da escrita do autor falecido aos 83 anos.

“A partir de 1969, a literatura também se define perante a obra de Lobo Antunes e isso é único”, sublinhou.

O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, morreu na quinta-feira aos 83 anos.

   António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.

   A República Portuguesa condecorou o autor do “Memória de Elefante” com a grã-cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras, em 2008. Foi Prémio Camões em 2007.

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