
Berlim, 15 abr 2026 (Lusa) — O Reino Unido anunciou hoje o maior fornecimento de drones para a Ucrânia, composto por mais de 120.000 unidades, um dia depois de Kiev ter celebrado acordos para a produção destas aeronaves não tripuladas com Berlim e Oslo.
O ministro da Defesa britânico, John Healey, anunciou a medida durante uma visita a Berlim, onde se reuniu com o Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia, encontro no qual estiveram presentes os homólogos alemão, Boris Pistorius, e ucraniano, Mykhailo Fedorov, bem como o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.
O novo pacote de ajuda, segundo informou o Ministério da Defesa britânico num comunicado, inclui “drones de reconhecimento” e logísticos, além de equipamento para melhorar as capacidades navais das forças ucranianas.
Prevê-se que o envio dos drones comece ainda este mês.
Healey afirmou que, no quinto ano da “guerra brutal” do Presidente russo, Vladimir Putin, “o Reino Unido está a intensificar o seu apoio e a fornecer à Ucrânia o maior número de drones da sua história”.
“Este importante reforço de drones, testados em combate, proporcionará às forças ucranianas a capacidade necessária para defender o seu povo e repelir a agressão russa”, afirmou o ministro.
“Com a atenção centrada no Médio Oriente nas últimas semanas, Putin procura distrair-nos, mas os ucranianos continuam a lutar com enorme coragem e nada nos impedirá de continuar a apoiá-los até alcançarmos a paz”, concluiu John Healey.
Segundo o comunicado do Ministério de Defesa britânico, a maior parte deste investimento será destinado a “empresas sediadas no Reino Unido, como a Tekever, a Windracers e a Malloy Aeronautics, criando novos postos de trabalho” no país.
Os drones revelaram-se cruciais, tanto para os contra-ataques ucranianos na frente de batalha nos últimos meses, como para a sua defesa contra os contínuos ataques russos.
A Rússia lançou aproximadamente 6.500 drones de ataque unidirecionais contra a Ucrânia em março de 2026, um aumento significativo em relação ao total de fevereiro.
Na terça-feira, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, firmou em Berlim um acordo estratégico com o chanceler alemão, Friedrich Merz, no domínio da defesa, com ênfase na produção bilateral de drones.
A empresa alemã Quantum Systems, especializada nestes veículos aéreos não tripulados, anunciou nesse dia a criação de duas “novas ‘joint ventures’ com fabricantes ucranianos”.
A QWI, “que reforçará a defesa aérea”, com a ucraniana WIY Drones, e a QTI, “que se concentrará na produção de sistemas terrestres não tripulados”, com a ucraniana Tencore.
Após ser recebido por Merz, o líder ucraniano viajou até à Noruega, onde assinou um acordo com o primeiro-ministro, Jonas Gahr Store, para estreitar a cooperação militar com Oslo, que inclui o fabrico de drones ucranianos neste país nórdico.
“Queremos estudar como a tecnologia e a indústria de drones ucranianos podem reforçar a capacidade de defesa da Noruega a longo prazo, por isso é importante estabelecer a produção de drones ucranianos na Noruega”, afirmou Store numa conferência de imprensa em Oslo, após se reunir com Zelensky.
O acordo inclui também um aumento da produção de equipamento de defesa aérea e de munições, explicou o líder norueguês na terça-feira.
O exército ucraniano possui uma experiência operacional e tecnológica sem paralelo no domínio dos drones, que se tornaram armas essenciais devido ao seu custo relativamente baixo, à sua eficácia e ao seu alcance.
Além da produção e fornecimento de drones a Kiev, os exércitos ocidentais procuram adquirir conhecimento prático sobre a atualização dos mesmos e reforçar as suas fileiras com este tipo de armamento.
A experiência adquirida nesta área permitiu a Kiev enviar especialistas em combate a drones para vários países do Golfo Pérsico, alvo de ataques do Irão, aliado da Rússia.
Desde o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro, vários países do Golfo foram atingidos por ataques retaliatórios de Teerão, nomeadamente com os drones Shahed, de fabrico iraniano.
A Ucrânia, em guerra com a Rússia desde fevereiro de 2022, tem experiência a enfrentar este tipo de investidas, uma vez que Teerão tem cedido ajuda a Moscovo com o envio de armamento.
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