Rei Felipe VI recebido e saudado por centenas de pessoas à chegada a Ceuta

Ceuta, Espanha, 13 out 2026 (Lusa) – O Rei de Espanha foi hoje saudado por centenas de pessoas à chegada a Ceuta, no início da primeira visita em quase 20 anos de um chefe de Estado espanhol à cidade.

Felipe VI e a mulher, Letizia Ortiz, visitam Ceuta depois de em 30 e 31 de julho mais de 70.000 pessoas terem entrado ilegalmente neste enclave espanhol no norte de África, cuja soberania é reivindicada por Marrocos.

Centenas de pessoas esperavam Felipe VI e Letízia Ortiz na avenida de acesso à Câmara Municipal de Ceuta, sede do governo da cidade autónoma e local do primeiro ponto de agenda dos monarcas nesta visita.

Felipe VI e Letízia Ortiz chegaram ao local cerca das 12:30 locais (11:30 em Lisboa) e passaram mais de 20 minutos a cumprimentar e saudar a multidão, que os recebeu com bandeiras de Espanha, aplausos, gritos de saudação aos Reis e cânticos como “Ceuta unida jamais será vencida” ou “Eu sou espanhol”.

Tanto o número de pessoas que esperava os reis de Espanha nas ruas para os saudar, como o tempo que Felipe VI e Letízia Ortiz passaram a cumprimentar a multidão são pouco habituais ou mesmo inéditos desde que o atual monarca foi proclamado chefe de Estado, em 2014, destacaram os jornalistas espanhóis que costumam acompanhar as deslocações da Casa Real.

Felipe VI vai dormir hoje na cidade, pelo que será também o primeiro chefe de Estado de Espanha a pernoitar no enclave espanhol no norte de África desde 1927.

Segundo a agenda divulgada pela Casa Real, Felipe VI vai reunir-se em Ceuta com as autoridades locais, representantes da sociedade civil e líderes das diversas comunidades religiosas da cidade, que se orgulha de ser há séculos “a cidade das quatro culturas” (católica, muçulmana, hindu e judaica).

Mais de 40% da população de Ceuta é católica e mais de 40% é muçulmana.

Felipe VI e Letizia Ortiz vão também participar numa cerimónia ecuménica no cemitério muçulmano Sidi Embarek de Ceuta, onde estão enterradas mais de 80 pessoas que morreram em 30 e 31 de julho ao tentarem entrar na cidade a nado e cujos corpos foram resgatados no lado espanhol da fronteira.

Depois da passagem por Ceuta, Felipe VI e a mulher, Letizia Ortiz, seguem, na quarta-feira, para Melilla, o outro enclave de Espanha no norte de África e com fronteiras com Marrocos.

A última visita de um chefe de Estado espanhol a Ceuta e Melilla foi em 2007, nas únicas deslocações aos enclaves que fez Juan Carlos I, o pai do atual monarca.

As deslocações de poucas horas a cada uma das cidades de Juan Carlos I desencadearam então uma crise diplomática com Marrocos, que retirou temporariamente o embaixador de Madrid.

Desta vez, a visita de Felipe VI tem como cenário a crise desencadeada em Ceuta com a entrada ilegal, em 30 e 31 de julho, de mais de mais de 70.000 pessoas na cidade, naquilo que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, qualificou logo naqueles dias como um ataque e uma violação à integridade territorial de Espanha.

O ocorrido em Ceuta no final de julho e a crise no terreno que desencadeou – com milhares de pessoas a continuarem ilegalmente na cidade, um aumento da tensão entre a população e os migrantes e relatos de alguns episódios de violência – mantêm-se até hoje no centro do debate público e político em Espanha, com o Governo de Sánchez a ser alvo de críticas generalizadas, da esquerda e da direita.

O executivo tem sido acusado de uma resposta lenta à situação no terreno, com milhares de pessoas a dormirem nas ruas e praias de Ceuta até há poucos dias e de subserviência a Marrocos.

Ceuta e a imigração serão um dos temas que previsivelmente dominarão a campanha para as eleições legislativas antecipadas de 29 de novembro, entretanto convocadas por Pedro Sánchez.

A visita às duas cidades “foi acordada pelo Governo e a Casa Real”, segundo o comunicado da Casa Real espanhola de 01 de outubro.

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