Registados mais 5.500 casos de violência de género em 2026 no Haiti – ONU

Nações Unidas, Nova Iorque, 29 jul 2026 (Lusa) — O Haiti registou mais de 5.500 casos de violência de género este ano, sobretudo violações de mulheres e raparigas, anunciou hoje a ONU.

Mais de 1.000 casos deste tipo foram registados só em junho no país, marcado há anos pela violência de organizações criminosas, que cometem homicídios, violações, pilhagens e raptos.

“Tem-se verificado um aumento alarmante da violência de género no país, particularmente contra mulheres e raparigas, incentivado pela insegurança persistente e pelas deslocações de pessoas”, disse o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, durante uma conferência de imprensa.

“Os nossos parceiros registaram mais de 3.000 casos de violência de género entre abril e junho deste ano, tendo sido relatados mais de 1.000 só no mês de junho”, acrescentou.

“Isto perfaz um total de 5.500 na primeira metade do ano, o que representa um aumento significativo em relação ao ano passado, quando os nossos parceiros tinham registado mais de 8.000 casos”, detalhou Haq.

Quase 70% dos casos relatados nos últimos seis meses envolvem violações, muitas das quais em grupo, atribuídas a grupos armados, acrescentou.

Mais de metade das vítimas eram pessoas deslocadas devido à violência dos gangues.

No início deste mês, trabalhadores humanitários regressados de uma missão no Haiti denunciaram a dimensão esmagadora dos traumas e do sofrimento de mulheres e raparigas, cujos “corpos são utilizados como campos de batalha” pelos grupos criminosos, que multiplicam, nomeadamente, as violações em grupo.

De cerca de 11 milhões de habitantes, quase 1,5 milhões encontram-se deslocados no país devido à violência, de acordo com uma estimativa de junho da Organização Internacional para as Migrações (OIM), sublinhando que os ataques não se limitavam apenas à capital.

Está a ser constituída uma Força de Repressão dos Gangues (FRG), apoiada pela ONU, para ajudar as forças policiais locais, que se encontram sobrecarregadas.

Esta FRG deverá, a longo prazo, contar com 5.500 polícias e militares estrangeiros, mas o número já destacado não é conhecido.

 

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