Raimundo diz que IL e Chega têm “dívida de gratidão” para com PS

Sines, Setúbal, 30 nov 2025 (Lusa) — O secretário-geral do PCP ironizou hoje que IL e Chega têm uma “dívida de gratidão” para com o PS por ter viabilizado o Orçamento sem o seu voto, e apelou a “uma grande, grande greve geral” contra o pacote laboral.

Num almoço-comício em Sines (distrito de Setúbal), Paulo Raimundo começou por saudar a vitória autárquica do partido neste concelho em outubro, depois de 12 anos de gestão do PS, e centrou a sua intervenção nas críticas ao Orçamento do Estado para 2026 aprovado na semana passada, com a abstenção do PS, e à anteproposta de reforma do Código do Trabalho do Governo PSD/CDS-PP.

Para o líder comunista, este documento está “ao serviço de uma pequena minoria, de grandes grupos económicos e multinacionais, que vão sugando, sugando, sugando”, referindo-se a um estudo segundo o qual Portugal está a perder 2,9 milhões de euros por dia em impostos não cobrados às multinacionais.

“Para esses, nunca há problemas, nunca há ai-ai as contas públicas, ai-ai que é preciso excedente, ai-ai que o dinheiro não dá para tudo, ai-ai os défices. Para esses, toda essa lengalenga nunca existe”, criticou.

Em particular, defendeu, Chega e IL “têm uma dívida de gratidão para com o PS, que, mais uma vez, decidiu dar a mão a este Orçamento”, permitindo que estes partidos “pudessem fazer aquele papel de ‘calimeros’, votando contra um Orçamento com o qual estão profundamente de acordo”.

“Este é um Orçamento que é uma peça de uma política mais ampla e de uma política mais profunda […]. Uma política que tem uma peça maior do seu objetivo, que é o famoso pacote laboral”, avisou.

O líder comunista alertou que há três questões das quais o Governo não vai abdicar: “Aumentar a precariedade, aumentar a desregulação do tempo de trabalho e aumentar a possibilidade de despedir sem justa causa”, disse.

“Os trabalhadores têm o dever e têm a obrigação de pegar nessa força toda, organizá-la e afirmar a sua força e combater este pacote laboral […]. É isso que está em construção no rumo para uma grande, grande e necessária greve geral no próximo dia 11 de dezembro”, apelou.

Para Paulo Raimundo, nessa greve convocada pelas duas centrais sindicais, CGTP e UGT, está em causa não apenas “derrotar o pacote laboral”, mas também “a luta contra a mentira, a ilusão e a propaganda” que atribuiu ao Governo PSD/CDS-PP.

Entre o que classificou de mentiras do Governo, o secretário-geral do PCP apontou, por exemplo, o discurso sobre o aumento das pensões.

“O Governo veio dizer que aumentaram todas as pensões para todos os reformados e pensionistas. É verdade e porquê? Porque há uma lei que obriga a que se aumente. Grande fineza. Também era só o que faltava, o Governo agora não cumprir a lei”, ironizou, contrapondo que os reformados necessitam é de “aumentos reais” nas suas pensões.

Raimundo classificou ainda como “uma mentira do tamanho do mundo” que se diga que os reformados acedem aos medicamentos de forma gratuita.

“A maioria, a imensa maioria, a larga maioria dos reformados não tem acesso gratuito aos medicamentos, quem tem é uma pequena percentagem”, disse, referindo-se aos que beneficiam de Complemento Solidário para Idosos (CSI).

O líder comunista lamentou ainda o anúncio de que a idade da reforma vai subir para os 66 anos e 11 meses em 2027, tendo por base os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

“Caramba, será que 40 anos de trabalho, com 40 anos de descontos, não é tempo de trabalho suficiente para poder aceder à reforma e à pensão sem mais nada? Não inventem, não obriguem as pessoas a trabalhar até ao final dos seus dias e das suas vidas”, apelou.

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