
Cabul, 03 mar 2026 (Lusa) — Quase 8.500 afegãos foram obrigados a fugir das suas casas devido aos confrontos na fronteira entre as forças afegãs e o exército paquistanês, anunciou hoje o Governo talibã.
Após meses de escaramuças, os dois países vizinhos estão em conflito desde quinta-feira passada, quando o Afeganistão lançou uma ofensiva na fronteira em resposta a ataques aéreos paquistaneses.
O Paquistão declarou então “guerra aberta” às autoridades talibãs, acusando-as de há muito abrigarem militantes armados que lançam ataques contra o seu território, acusação que as autoridades afegãs negam.
O exército paquistanês bombardeou, nomeadamente, a capital afegã, Cabul, a antiga base militar norte-americana de Bagram, e Kandahar, a cidade no sul do país onde reside isolado o líder supremo dos talibãs afegãos, Hibatullah Akhundzada.
“Devido a estes bombardeamentos e ataques brutais, 8.400 famílias estão deslocadas, [depois de serem] forçadas a abandonar as suas aldeias e casas”, disse o porta-voz adjunto do Governo afegão, Hamdullah Fitrat.
Segundo o Governo afegão, pelo menos 39 civis foram mortos desde quinta-feira, número que o Paquistão não comentou.
O Governo talibã reconheceu também, pela primeira vez, os ataques aéreos paquistaneses à base aérea de Bagram, a norte da capital.
“Sim, o inimigo também atacou Bagram, mas não houve vítimas nem danos”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa, Enayatullah Khowarazmi.
De acordo com fontes de segurança paquistanesas, citadas pela agência de notícias francesa AFP, os ataques a Bagram visaram perturbar “o fornecimento de equipamento e mantimentos essenciais” aos soldados e combatentes afegãos.
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