Quase 240 detidos no Irão por tentarem preparar ação militar dos EUA e Israel

Teerão, 25 abr 2026 (Lusa) — As autoridades iranianas detiveram 239 pessoas acusadas de preparar o terreno para uma ação militar dos Estados Unidos e de Israel no âmbito da guerra contra o país, anunciou hoje a Guarda Revolucionária.

As detenções ocorrerem nas províncias de Kermanshah (oeste) e Curdistão (noroeste), precisou a guarda ideológica do regime iraniano num comunicado divulgado pela agência Mehr.

Os detidos integravam “várias equipas afiliadas a grupos antirrevolucionários apoiados pelos Estados Unidos e pelo regime sionista”, afirmou a Guarda Revolucionária.

As equipas em causa “procuravam preparar o terreno para um ataque militar a partir do oeste do país”, referiu, segundo a agência de notícias espanhola EFE

“Foram identificadas e desarticuladas”, assegurou a mesma força.

Na província do Curdistão, foram detidas 84 pessoas, entre as quais membros de grupos separatistas curdos e opositores ao regime, em operações distintas que resultaram numa morte.

Nestas rusgas, foram apreendidas armas pesadas, incluindo lança-foguetes RPG, munições e explosivos.

Na província de Kermanshah, a Guarda Revolucionária deteve 155 pessoas que, segundo indicou, pertenciam a grupos opositores, incluindo quatro supostos espiões alegadamente ligados ao serviço de inteligência israelita Mossad.

De acordo com as autoridades, sete dos detidos estariam implicados no fabrico de bombas artesanais e na aquisição de armas ilegais para atacar instalações governamentais e militares.

Desde o início da guerra com Israel e os Estados Unidos, em 28 de fevereiro, o Irão lançou uma campanha de detenções em massa de alegados opositores ou espiões dos dois países inimigos.

A República Islâmica executou cinco pessoas esta semana por supostas ligações a Israel, incluindo um homem que participou nos protestos de janeiro.

Os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar de grande envergadura contra o Irão numa altura em que decorriam negociações entre Washington e Teerão sobre o programa nuclear iraniano.

O Irão respondeu com ataques a interesses norte-americanos nos países da região e com o bloqueio do estreito de Ormuz, causando uma crise mundial devido à subida dos preços do petróleo.

Washington e Teerão concordaram com uma trégua para tentar acabar com a guerra, sendo esperadas novas rondas de contactos durante o fim de semana no Paquistão, país que tem mediado as conversações.

A guerra desencadeada pela ofensiva israelo-americana causou mais de cinco mil mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, país que foi arrastado para o conflito pelo grupo pró-iraniano Hezbollah, que atacou Israel em 02 de março.

PNG // EA

Lusa/Fim