Putin afirma que tem combustíveis sob controlo apesar de ataques ucranianos

Moscovo, 23 ago 2026 (Lusa) — O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou hoje que a escassez de combustíveis na Rússia está controlada e que os problemas estão a ser resolvidos, após sucessivas vagas de ataques ucranianos contra instalações petrolíferas.

“Embora nem todos os problemas tenham sido resolvidos, o trabalho está em curso. O primeiro-ministro [Mikhail Mishustin] está a acompanhar a situação. Foi criada uma comissão especial”, disse o líder do Kremlin numa entrevista transmitida hoje pela televisão estatal.

Putin reconheceu que “é claro que há certos incómodos para as pessoas” devido à falta de combustíveis, mas reforçou que “o Governo, obviamente, deve manter a situação sob controlo”.

Dias antes, as autoridades russas admitiram que o país está a viver a “segunda fase” da crise dos combustíveis devido à intensificação dos ataques ucranianos às infraestruturas petrolíferas.

Na quarta-feira, foi divulgado que pelo menos duas cadeias de postos de abastecimento voltaram a restringir a venda de combustíveis em Moscovo.

Da mesma forma, o ministro da Energia russo, Sergey Tsiviliov, reconheceu que as filas regressaram aos pontos de venda.

Além de limitar a venda de combustíveis, o Governo russo autorizou a venda de gasolina Euro-2, muito abaixo dos padrões de qualidade habituais, numa tentativa de lidar com a crise do mercado.

Anteriormente, o Presidente russo tinha tentado minimizar os bombardeamentos ucranianos no seu país, alguns dos quais a largas centenas de quilómetros da frente de combate entre os exércitos dos dois países, ao comentar que “estes ataques não têm consequências graves, nunca tiveram nem nunca terão”.

Mas depois acabou por admitir que prejudicam a economia nacional.

Na sexta-feira, as autoridades russas reconheceram que o abastecimento de combustível era difícil em algumas regiões do país, devido à recente intensificação dos ataques da Ucrânia contra refinarias.

“A situação mantém-se tensa em várias regiões do país em relação ao fornecimento de combustível aos postos de abastecimento de combustível”, afirmou o Governo nas redes sociais, acrescentando que foi realizada uma reunião sobre o assunto.

As empresas petrolíferas “estão a tomar as medidas necessárias para aumentar o fornecimento às regiões mais vulneráveis”, acrescentou.

O vice-primeiro-ministro russo para a Energia, Alexander Novak, instruiu as autoridades para monitorizarem os preços dos combustíveis, segundo o executivo.

Na Rússia, os motoristas e as empresas têm enfrentado dificuldades de abastecimento nos últimos meses, à medida que a Ucrânia intensificou os seus ataques com drones e mísseis de longo alcance contra as infraestruturas petrolíferas russas, procurando cortar os recursos financeiros que alimentam a ofensiva de grande escala lançada contra o seu território em fevereiro de 2022.

Quase todas as regiões tiveram de restringir as vendas em algum momento, por exemplo, limitando a quantidade de combustível que cada cliente pode comprar.

A região sul de Krasnodar, popular entre os turistas pelos seus ‘resorts’ no Mar Negro, está entre as mais afetadas.

Os ataques aéreos ucranianos visaram também os gigantescos armazéns da Wildberries, o maior retalhista ‘online’ da Rússia, provocando avultados prejuízos e deixando a guerra mais próxima dos cidadãos.

Os ataques a cerca de 20 instalações da Wildberries demonstraram a capacidade de Kiev para atingir alvos distantes e representaram um novo desafio para Vladimir Putin, antes das eleições legislativas no próximo mês.

A economia da Rússia cresceu 1,3% no segundo trimestre, depois de ter contraído no início do ano pela primeira vez desde 2023, segundo dados os dados oficiais, que Putin já admitiu ser um valor “modesto” ainda que positivo.

Analistas observam porém que a elevada inflação associada aos ataques ucranianos e sanções internacionais, a par da escassez de mão de obra e fragilidade da indústria não dedicada ao esforço de guerra, inviabilizam o regresso a crescimentos económicos sustentados.

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