

Dois dias depois de a mulher ter sido encontrada morta, deitada na cama com sangue e hematomas, Manuel Ferreira, 63 anos, garantiu ao CM não ter sido ele a assassiná-la, em 28 de dezembro passado, em Lages de Silgueiros, Viseu. O viúvo chorou perante a reportagem, mas as lágrimas não travaram a investigação da Judiciária – que quase meio ano depois o foi prender.
É suspeito de ter asfixiado até à morte Maria Marques, de 60 anos, durante a noite, e a seguir foi trabalhar. “Eu não matei a minha mulher”, garantiu na altura Manuel Ferreira ao CM, acrescentando: “De manhã passei pelo quarto dela, mas como vi a porta fechada nem sequer lá entrei. Saí de casa e fui para a fazenda trabalhar”, disse.
Desde o primeiro momento que o homem foi apontado como o principal suspeito da morte de Maria Marques, não só pelos seus vizinhos – que relataram episódios de violência doméstica – como pelos inspetores da PJ.
No entanto, o discurso “coerente e convincente” do suspeito, bem como o facto de os exames da autópsia não terem sido completamente esclarecedores, atrasaram a investigação deste caso. Até à manhã de anteontem, dia em que os inspetores da Polícia Judiciária receberam os resultados de perícias científicas. Agora não restam dúvidas: Maria Marques “morreu vítima de asfixia e quem a matou foi o seu marido”, referiu ontem ao CM uma fonte ligada às investigações.
A PJ não perdeu tempo e deteve Manuel Ferreira ao final da manhã de segunda-feira, na sua residência, em Lages de Silgueiros, Viseu. O homem foi apanhado de surpresa e manteve o discurso da inocência que tivera em dezembro. Assim, não entendeu o juiz de instrução do Tribunal de Viseu, que, perante a prova científica, não teve dúvidas em aplicar-lhe prisão preventiva.
