Protestos dos camionistas: Justin Trudeau diz que não cede a chantagens

Foto: Terror Alarm
Foto: Terror Alarm

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, bem como a família, foram deslocados da residência oficial para um local não revelado por causa dos protestos anti-vacinas para a Covid-19. A família de Justin Trudeau foi transportada pelos serviços de segurança canadianos para um lugar seguro em Ottawa.

Milhares de pessoas transformaram o centro de Ottawa num pesadelo para os moradores locais no último fim de semana. Na segunda-feira, 31 de janeiro, a maior parte do centro da cidade continuou em bloqueio forçado por causa do grupo chamado de ‘Comboio da Liberdade’.

Algumas centenas de pessoas reuniram-se em frente ao Parliament Hill e inúmeras plataformas comerciais bloquearam a maior parte da Wellington Street em frente aos edifícios do Parlamento.

Justin Trudeau, assim como a família, tiveram de sair de casa para evitar que as ameaças dos manifestantes passassem mais além.

O primeiro-ministro do Canadá diz que, apesar da saída, não se sente intimidado pelo grupo ‘Comboio da Liberdade’.

“Quero ser muito claro, não nos sentimos intimidados por aqueles que insultam e abusam dos trabalhadores de pequenas empresas e roubam comida dos sem-abrigo”, disse Trudeau.

“Não vamos ceder àqueles que hasteiam bandeiras racistas. Não vamos ceder àqueles que praticam vandalismo ou desonram a memória dos nossos veteranos.”

Trudeau diz que todos os canadianos estão cansados ​​da pandemia e que ela não vai terminar só porque os manifestantes exigem. Ela só termina, diz Trudeau, quando as pessoas forem vacinadas.

Mesmo que até ao momento os protestos tenham sido pacíficos, as forças de segurança do Canadá temem que elementos radicais que se juntem ao chamado ‘Comboio da Liberdade’ provoquem ações violentas.

Entre os cartazes levados pelos manifestantes que se começaram a reunir em frente ao edifício do parlamento canadiano, mensagens obscenas e violentas dirigidas ao primeiro-ministro.

Algumas sugerem “enforcar” o responsável por impor medidas de contenção da pandemia. Também foram levadas por manifestantes, bandeiras com o símbolo nazista e do movimento extremista de supremacia branca norte-americano.

Houve registos de ataques e agressões também em hotéis que recusaram a hospedagem sem o comprovativo de vacinação e num abrigo que fazia distribuição de refeições para sem-abrigos. Todos os incidentes serão alvo de investigação policial. O abrigo atacado recebeu apoio de milhares de canadianos nas redes sociais e foram enviadas milhares de doações em dinheiro para o local.

O protesto iniciou-se no sábado, a 28 de janeiro, através de camionistas que se opõem à decisão do Canadá e dos Estados Unidos de obrigarem trabalhadores transfronteiriços a estarem vacinados, de forma a evitar uma quarentena de 14 dias.

A medida afeta cerca de apenas 15% dos camionistas que ainda não se vacinaram.