
Maputo, 20 abr 2026 (Lusa) — Os profissionais de saúde moçambicanos, em greve desde janeiro, anunciaram hoje a continuidade da paralisação e exigiram ao Governo propostas escritas com prazos para pagamento de subsídios e entrega de material médico.
“Queremos guia de entrega do material médico-cirúrgico, guia de entrega do medicamento. Nós queremos ata assinada com a imprensa e com prazos(…). O Governo que traga proposta escrita com valores e com datas”, disse o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), em conferência de imprensa, em Maputo.
Segundo o responsável, a paralisação mantém-se devido à falta de condições básicas de trabalho nas unidades sanitárias, incluindo escassez de luvas, medicamentos e equipamentos essenciais, situação que compromete o atendimento aos doentes.
“Hoje, os profissionais de saúde atendem partos com saco plástico na mão, porque não tem luvas, com lanterna, sem máscaras, sem roupas, sem blocos de receita para prescrição de medicamentos (…) Isso não é trabalho, isso é crime contra a saúde pública”, afirmou o responsável.
O presidente da APSUSM apontou ainda atrasos no pagamento de subsídios, ausência de progressão na carreira e falta de incentivos como fatores que agravam o descontentamento da classe, defendendo que estas matérias devem constar de um acordo formal com o executivo.
“Vamos observar o que tem nas unidades sanitárias, mas não paramos a greve. Paramos a greve com material médico cirúrgico e medicamentos dos hospitais, nos hospitais”, declarou Anselmo Muchave.
A associação reiterou que a greve não é contra a população, mas visa garantir melhores condições no sistema de saúde e assegurar um atendimento digno aos utentes.
Em 30 de março, a APSUSM acusou o Governo de não cumprir compromissos assumidos nas negociações, alertando para uma “situação catastrófica” no Serviço Nacional de Saúde e para o registo de 1.872 mortes associadas à falta de medicamentos e equipamentos.
A greve, iniciada em 16 de janeiro, inclui reivindicações como o pagamento integral do 13.º salário de 2025, melhores condições de trabalho e fornecimento regular de material médico-cirúrgico, tendo já sido prolongada por mais 30 dias em março.
A APSUSM, que representa cerca de 65.000 profissionais de saúde, garante que a paralisação só será suspensa com compromissos concretos do Governo, incluindo prazos definidos para aplicação das medidas.
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