Produtores de pera rocha estimam aumento este ano para 131 mil toneladas

Cadaval, Lisboa, 14 ago 2026 (Lusa) – A produção de pera rocha do Oeste, cuja colheita arrancou esta semana, deverá ser este ano de 131 mil toneladas, um aumento de 13% face à campanha anterior, estimou hoje a associação do setor.

“Apontamos para um aumento de 13%, mas é uma expectativa que vamos ver se se confirma porque há muita heterogeneidade”, afirmou à agência Lusa Filipe Ribeiro, presidente da Associação Nacional de Produtores (ANP) de Pera Rocha, com sede no Cadaval, no distrito de Lisboa.

Ao contrário do que é habitual, a colheita arrancou este ano antes de 15 de agosto.

“Temos um ciclo mais adiantado do que no ano passado por causa do calor, porque a furta amadureceu mais rápido”, justificou.

Também devido às altas temperaturas, “nas últimas semanas o calibre tem aumentado e a pera está com níveis de açúcar muito interessantes, o que favorece a venda nos mercados”, explicou.

Apesar de tudo, o calor criou também “episódios de escaldão” na fruta, mas “não tão graves como há dois anos”.

O problema vem juntar-se a doenças na fruta com as quais os produtores se têm debatido e que têm vindo a reduzir a produção, nomeadamente o fogo bacteriano e a estenfiliose, que deixaram de poder ser combatidas com produtos fitofarmacêuticos retirados pela União Europeia.

A angariação de mão-de-obra para este trabalho agrícola sazonal tornou-se também “mais difícil” este ano e está relacionado com a saída de população migrante para outros países e “dificuldades nos processos de entrada de migrantes para a atividade agrícola”.

“Passámos de uma situação de termos portas abertas para outra de portas quase fechadas, além de os processos serem muito morosos”, justificou o dirigente.

A dificuldade acrescida de encontrar mão-de-obra preocupa o setor, que corre o risco de “deixar fruta nos pomares, o que não é positivo”.

Também a área de cultivo tem vindo a diminuir, passando de 11.325 hectares em 2020 para os atuais cerca de 10.000 hectares.

Os principais concelhos produtores são Bombarral, Cadaval, Óbidos, Caldas da Rainha, Alcobaça, Lourinhã, Mafra e Torres Vedras, nos distritos de Leiria e Lisboa.

O setor e a investigação científica estão a trabalhar não só na clonagem de plantas mais resistentes, mas também em soluções de combate às doenças.

Cinquenta e oito por cento da produção é exportada, sendo os principais mercados o Brasil, a Alemanha, o Reino Unido, Marrocos e França, e a restante vendida no mercado nacional.

Nos últimos dois anos, o setor tem faturado cerca de 150 milhões de euros.

Criada em 1993, a ANP representa cerca de 90% dos produtores e da produção de pera rocha em Portugal.

Em 2003, a Pera Rocha do Oeste foi reconhecida pela Comissão Europeia como produto de Denominação de Origem Protegida.

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