Produção de amêndoa em Portugal poderá aumentar 40% este ano – associação

Beja, 30 set 2026 (Lusa) — A produção de amêndoa em Portugal deverá aumentar este ano 40% em relação à campanha do ano passado e atingir as 115 mil toneladas com casca, o que se constituirá um recorde, foi hoje divulgado.

“A expectativa é bastante favorável, não só de que possamos vir a ter um aumento de cerca de 40% da produção, como também se nota uma melhoria muito grande do rendimento”, afirmou o presidente da Portugal Nuts, Tiago Costa.

Esta previsão foi feita para a Portugal Nuts — Associação Promoção Frutos Secos pela Demeter, empresa internacional em dados sobre cadeias de valor agrícolas e publicação de índices.

O estudo indica que a produção nacional de amêndoa para 2026 é estimada em 114.900 toneladas com casca, equivalente a 34.470 toneladas de amêndoa em miolo, representando um aumento de 39% em comparação com a campanha anterior.

Segundo Tiago Costa, que falava aos jornalistas no final de uma visita do ministro da Agricultura a uma fábrica de descasque de amêndoa em Beja, este ano a colheita arrancou a meio de agosto e vai terminar mais tarde, em meados de outubro.

“Estamos com um rendimento muito mais elevado daquele que foi no ano passado e uma qualidade bastante boa”, reiterou, assinalando que, a par do “aumento significativo do preço”, 2026 está a tornar-se “favorável para os produtores”.

Nas declarações aos jornalistas, o presidente da Portugal Nuts reconheceu que já foram arrancados amendoais, sem precisar a respetiva área, frisando que terão sido “áreas relativamente pequenas”.

“Crescemos muito e em muito pouco tempo e não foi possível consolidar todo o conhecimento que deveríamos ter sobre a amêndoa, quer a nível técnico, mas também a nível operacional”, salientou.

Tiago Costa referiu que o setor está agora “a consolidar todo este conhecimento”, admitindo que o crescimento foi feito com base em “informação de fora” que foi adaptada à realidade do país.

“Por isso mesmo, já se nota a evolução em muitos dos nossos associados e dos nossos produtores e nota-se perfeitamente que já não estão a trabalhar, no fundo, às escuras e isso reflete-se quer na produtividade, quer também na qualidade”, sublinhou.

O dirigente disse que “provavelmente haverá as oscilações normais nos diferentes anos, com a retirada de uns [pomares] que já são mais antigos e substituição por outros, que serão para repor”.

“Estabilidade é talvez a palavra mais adequada para aquilo que deve ser investido”, acrescentou.

Criada em 2019, a Portugal Nuts tem agora pouco mais de 46 associados, entre produtores e processadores, os quais representam mais de 20 mil hectares, a maioria (95%) de amêndoa, no sul do país e Beira Interior.

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