Presidente libanês recusa “contacto direto” com Netanyahu

Beirute, 16 abr 2026 (Lusa) – O Presidente libanês, Joseph Aoun, recusou um pedido dos Estados Unidos para estabelecer “contacto direto” com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, indicaram hoje fontes das autoridades de Beirute às agências internacionais.

Joseph Aoun informou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, da sua recusa, durante uma conversa telefónica, segundo uma fonte do Governo libanês citada pela agência France-Presse (AFP), que acrescentou que Washington “compreende a posição do Líbano”.

A agência norte-americana Associated Press (AP) também cita uma fonte governamental libanesa a dar conta igualmente da recusa do chefe de Estado em falar com o líder israelita.

Aoun confirmou a chamada com Rubio, numa declaração do seu gabinete, mas não mencionou nenhuma conversa com Netanyahu, que também não se pronunciou, apesar de o seu Governo ter indicado previamente que era esperado um telefonema com chefe de Estado libanês.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, também indicara que os líderes de Israel e do Líbano iriam conversar hoje, após uma primeira reunião de enviados dos dois países, que decorreu na terça-feira no Departamento de Estado, em Washington.

Do encontro, realizado ao nível dos embaixadores na capital norte-americana com a presença de Marco Rubio, ficou acertado que as duas partes vão iniciar negociações de paz, mas não saiu um cessar-fogo, reclamado por Beirute, na ofensiva militar israelita contra o grupo xiita libanês Hezbollah, que não participa e opõe-se a estas iniciativas diplomáticas.

O Presidente libanês defendeu hoje que a retirada das tropas israelitas do sul do Líbano “é um passo fundamental para consolidar” um cessar-fogo, até agora recusada por Israel, bem como permitir a deslocação do Exército libanês para a fronteira entre os dois países, “alargando plenamente a autoridade do Estado e pondo fim a qualquer presença armada”, referindo-se tanto aos militares israelitas como às milícias do Hezbollah

“As decisões do Governo, especialmente as relacionadas com o monopólio das armas, serão implementadas no interesse do Líbano e para garantir a proteção de todos os cidadãos que desejam ver o seu Estado como o único responsável pela sua segurança”, acrescentou Joseph Aoun no comunicado da presidência.

Benjamin Netanyahu insistiu na quarta-feira que um dos principais objetivos das negociações com o Líbano é o desmantelamento do grupo xiita aliado do Irão, ao mesmo que prossegue a sua campanha militar no país vizinho e apesar do diálogo iniciado com Beirute pela primeira vez em mais de 30 anos.

“Nas negociações com o Líbano, há dois objetivos principais: primeiro, o desmantelamento do Hezbollah e, segundo, uma paz duradoura, uma paz assente na força”, afirmou o chefe do Governo de Israel.

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, tinha exigido na segunda-feira o cancelamento do encontro em Washington, defendendo que este diálogo constitui uma capitulação de Beirute e não pode prosseguir sem um consenso interno.

O Hezbollah retomou os ataques contra o território israelita em 02 de março, logo após o início da ofensiva aérea lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do grupo xiita que, apesar disso, não parou com lançamentos de projéteis e drones contra Israel.

Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupava no sul do país no conflito anterior.

As autoridades de Beirute registaram cerca de dois mil mortos e mais de seis mil feridos desde o início do conflito, que deixou também acima de um milhão de descolados.

O Irão tem insistido que o Líbano seja incluído no cessar-fogo acordado com os Estados Unidos para o conflito no Golfo, uma exigência rejeitada por Washington e Telavive.

Em comunicado após a primeira reunião entre os embaixadores de Israel e do Líbano, o Departamento de Estado norte-americano indicou que qualquer acordo de cessar-fogo “deve ser alcançado entre os dois governos, com a intermediação dos Estados Unidos, e não através de qualquer via paralela”, em alusão às conversações entre Washington e Teerão.

Na mesma nota, a diplomacia norte-americana reafirmou o “apoio ao direito de Israel de se defender contra os ataques implacáveis do Hezbollah”, bem como ao Líbano nos esforços para restaurar o monopólio estatal da força e “pôr fim à influência opressiva do Irão”.

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