Presidente do parlamento moçambicano pede reflexão após acidente com 16 mortos

Maputo, 11 mai 2026 (Lusa) – A presidente do parlamento moçambicano lamentou hoje a morte de 16 pessoas vítimas de acidente de viação no norte do país, pedindo uma reflexão coletiva sobre a segurança rodoviária e apelando à condução prudente.

“Este triste acontecimento remete-nos a uma reflexão coletiva sobre a segurança rodoviária. Dirigimos, por isso, um vigoroso apelo aos automobilistas para que conduzam com prudência, respeito pelas regras de trânsito e elevado sentido de responsabilidade, lembrando que a preservação da vida deve estar sempre acima de qualquer pressa ou imprudência”, disse a presidente da Assembleia da República de Moçambique, Margarida Talapa, no encerramento da terceira sessão ordinária da X legislatura.

O despiste de uma viatura de transporte de mercadorias em Nampula, norte de Moçambique, provocou pelo menos 16 mortos, incluindo 11 crianças, que também transportava, divulgaram no domingo as autoridades.

O acidente aconteceu na noite de sábado, na estrada regional 703, no limite entre os distritos de Nacala-a-Velha e Memba, província de Nampula. Segundo um comunicado divulgado hoje pelo Instituto Nacional dos Transporte Rodoviários (Inatro), deficiências mecânicas e o mau estado da via terão provocado o despiste, seguido de capotamento, encontrando-se o condutor em fuga.

Moçambique registou 611 acidentes de viação em 2025 que resultaram na morte de 830 pessoas, uma subida em cinco óbitos face ao ano anterior, avançou em abril o procurador moçambicano, admitindo falta de profissionalismo dos condutores.

Nas mesmas declarações, Talapa disse que o parlamento acompanha com “bastante preocupação” a agitação sobre casos relacionados com boatos de atrofiamento de órgãos genitais masculinos, já com 61 mortos, criticando a propagação das falsas informações através das redes sociais e nas conversas nas comunidades, gerando “medo, incerteza e, lamentavelmente, episódios de violência e perda de vidas humanas”.

A presidente do parlamento defendeu que a “violência não é a resposta” às preocupações dos moçambicanos, referindo que só destrói o que a convivência pacífica leva anos a construir, colocando em risco vidas inocentes, pedindo, por isso, solidariedade entre cidadãos.

“Apelamos às forças de defesa e segurança, às autoridades administrativas, às lideranças comunitárias e religiosas, para que atuem para investigar, esclarecer e proteger os cidadãos. Exortamos a sociedade para não se deixar levar por ondas de boatos e recusar aderir à violência”, disse Talapa.

As superstições sobre o alegado atrofiamento, encolhimento e até desaparecimento de órgãos genitais, a partir de um toque, iniciaram-se em 18 de abril, na província de Cabo Delgado, e depois espalharam-se pelas restantes províncias, bem como nas redes socais.

Talapa condenou também os ataques xenófobos contra cidadãos estrangeiros na África do Sul: “aproveitamos esta ocasião para manifestar a nossa preocupação face aos episódios de xenofobia e violência registados na África do Sul, que têm gerado inquietação entre os moçambicanos residentes naquele país e não só”.

“Condenamos todas as formas de intolerância e violência contra cidadãos estrangeiros, por atentarem contra os valores da convivência pacífica e da fraternidade entre os povos”, disse ainda.

Ainda no discurso de encerramento, a presidente do parlamento moçambicano elogiou o Estado pelo pagamento integral da dívida de 630 milhões de euros antecipados ao Fundo Monetário Internacional (FMI), referindo que o ato vai devolver a confiança dos investidores.

“O pagamento integral da dívida com o Fundo Monetário Internacional, um marco histórico que restaura a credibilidade financeira do país, abre portas a novas oportunidades de financiamento e demonstra, o compromisso com a responsabilidade fiscal e com o futuro das gerações vindouras”, disse Talapa.

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