Prejuízos no Médio Tejo chegam a 185 ME dos quais 100 ME em infraestruturas públicas

Tomar, Santarém, 05 mar 2026 (Lusa) — Os prejuízos causados pelo mau tempo na região do Médio Tejo totalizam 185 milhões de euros (ME), dos quais 100 ME em infraestruturas públicas, estimou hoje a Comunidade Intermunicipal (CIM).

“No total, os prejuízos municipais em equipamentos, estradas, aquedutos, escolas e saúde rondam os 100 ME. Ao nível das casas de primeira habitação registam-se cerca de 25 ME em danos e, nas empresas, aproximadamente 60 ME. Falamos, portanto, de 185 ME, um valor significativo que exige medidas urgentes e objetivas de apoio financeiro aos municípios”, afirmou o presidente da CIM Médio Tejo.

Manuel Jorge Valamatos falava numa conferência de imprensa, que decorreu na sede da CIM, em Tomar, no distrito de Santarém, onde apresentou o balanço dos estragos causados pelo mau tempo no Médio Tejo.

“Nós, como comunidade intermunicipal, sentimos necessidade de fazer esta conferência de imprensa para transmitir a nossa grande preocupação”, afirmou o também presidente do município de Abrantes.

A conferência contou ainda com a presença de presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, e do autarca de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes, ambos vice-presidentes da CIM, além da maioria dos autarcas da região, os dois secretários executivos e o comandante da proteção civil do Médio Tejo, David Lobato.

“Na recuperação ainda há muito por fazer, sobretudo nas telecomunicações, onde se continua a sentir falta de robustez nas equipas e na força de trabalho”, salientaram Bruno Gomes e Luís Albuquerque, este último responsável por um dos municípios mais afetados, com 42 ME em danos públicos.

O presidente da CIM destacou também a urgência das obras nas estradas municipais, algumas totalmente ou parcialmente destruídas, e a necessidade de soluções rápidas para retomar a circulação na Linha da Beira Baixa, que permanece interrompida desde as cheias.

Segundo uma nota de imprensa da CIM, a conferência de imprensa pretendeu também alertar para a dimensão dos danos e para a necessidade de apoio imediato, acompanhando o trabalho do comando sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, que participa ativamente na avaliação dos prejuízos e na coordenação das intervenções no terreno.

Manuel Jorge Valamatos explicou que o processo de reconstrução já começou, mas que os apoios ainda não chegaram aos municípios.

“Os primeiros apoios para casas de primeira habitação começaram a ser entregues e os processos de acionamento de seguros e mecanismos de apoio às empresas estão em curso. Contudo, os municípios ainda não receberam apoios financeiros concretos e a urgência é máxima para iniciar a recuperação e restabelecer a normalidade social e económica”, alertou.

Valamatos reforçou que as estradas municipais interrompidas ou parcialmente destruídas estão a prejudicar a vida das populações e a economia local.

“Precisamos de projetos de recuperação destas vias com caráter urgente. A linha da Beira Baixa também precisa de soluções de transbordo até à normalização do tráfego ferroviário”, acrescentou.

A depressão Kristin provocou danos generalizados em infraestruturas municipais, património cultural e associativismo, evidenciando a vulnerabilidade da região e a necessidade de planos de resiliência mais robustos para enfrentar eventos climáticos extremos.

“Este valor de referência é muito significativo e só com apoio governamental e medidas concretas será possível iniciar a recuperação que urge a toda a comunidade”, concluiu Valamatos, apelando à rapidez na execução de apoios financeiros e à coordenação entre entidades locais e nacionais.

Dezanove pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou a 15 de fevereiro.

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