
Macau, China, 01 set 2026 (Lusa) — A antiga operadora de casinos Macau Legend anunciou um prejuÃzo de 136,8 milhões de dólares de Hong Kong (15 milhões de euros) na primeira metade do ano, menos 90,4% em termos homólogos.
Num comunicado enviado à bolsa de valores de Hong Kong, na segunda-feira à noite, a Macau Legend justificou a melhoria com a ausência nas contas do impacto do encerramento do último ‘casino-satélite’ da empresa.
Em 2025, a operadora registou uma queda de 1,18 mil milhões de dólares de Hong Kong (129,7 milhões de euros) no valor contabilÃstico do empreendimento Doca dos Pescadores, devido ao encerramento, em novembro, do ‘casino-satélite’ Legend Palace.
Os ‘casinos-satélite’, sob a alçada de três das seis concessionárias oficiais, eram geridos por outras empresas, sendo uma herança da administração portuguesa e que já existia antes da liberalização do jogo no território, em 2002.
Dez dos 11 ‘casinos-satélite’ que ainda operavam em 2025 fecharam portas, enquanto a SJM adquiriu o Casino Royal Arc e obteve autorização do Governo para gerir diretamente o espaço.
A Macau Legend terminou 2025 com um prejuÃzo de 1,57 mil milhões de dólares de Hong Kong (172,5 milhões de euros), mais do dobro do registado no ano anterior.
No relatório de segunda-feira a operadora admitiu ter “dúvidas significativas sobre a capacidade do grupo de continuar em atividade” devido a dÃvidas totais de 2,68 mil milhões de dólares de Hong Kong (294,6 milhões de euros).
Em setembro de 2025, a empresa lançou um concurso público para a venda do projeto imobiliário Ponto Legend, situado na vizinha Hengqin (ilha da Montanha), e que inclui uma praça ao ‘estilo manuelino’.
O perÃodo de licitação decorreu até ao final de outubro de 2025, mas a Macau Legend não anunciou ter recebido ou aceite qualquer proposta.
Em março de 2025, a Macau Legend já tinha previsto um prejuÃzo contabilÃstico de 45,9 milhões de dólares de Hong Kong (5,04 milhões de euros) devido à ameaça de reversão do hotel-casino que a empresa deixou por acabar na Praia.
Em janeiro passado, o Governo de Cabo Verde tomou mesmo posse dos bens e edifÃcio do hotel-casino que a Macau Legend abandonou há anos.
Três dias depois, a empresa disse que as autoridades cabo-verdianas não tinham “qualquer fundamento legÃtimo” para reaver a propriedade.
Em março, o Governo de Cabo Verde lançou um concurso de ideias para o espaço, aberto até meados de abril, sendo que as propostas que forem selecionadas serão objeto de consulta pública.
Em abril, a Macau Legend garantiu que não desistiu do hotel-casino e que estava a ponderar “possÃveis ações (…), sob assessoria jurÃdica”, face à perda da propriedade no ilhéu de Santa Maria e na orla marÃtima da Gamboa.
A operadora prometeu “implementar as medidas necessárias para salvaguardar os interesses da empresa e dos seus acionistas, incluindo a análise de todas as opções disponÃveis para proteger a sua posição”.
O relatório financeiro referente a 2025 revela que a Macau Legend reservou 32,4 milhões de dólares de Hong Kong (3,56 milhões de euros) para as despesas de uma eventual litigação em torno do projeto na capital cabo-verdiana.
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