
Pequim, 09 mar 2026 (Lusa) – O índice de preços ao consumidor na China aumentou em fevereiro na China 1,3% em relação ao mesmo mês de 2025, informou hoje o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês.
Este é o maior aumento desde janeiro de 2023 (2,1%), num mês em que este ano decorreram as férias do Ano Novo Lunar, com as quais as autoridades contavam para estimular o consumo.
A China está sujeita há alguns anos a pressões deflacionárias causadas pela fraca procura interna, excedentes de produção, grave crise imobiliária e um elevado desemprego entre os jovens.
Os produtores travam uma guerra de preços agressiva para incentivar as compras e reduzir os excedentes de stock.
O aumento de 1,3% é superior às previsões dos analistas consultados pela agência de notícias financeiras Bloomberg, que apontavam para 0,9%. É também o quinto mês consecutivo de aumento do índice.
Zichuan Huang, economista da Capital Economics, relativizou a subida dos preços, atribuindo-a a “fatores temporários, como a atenuação da deflação do petróleo e a volatilidade dos preços dos produtos alimentares e do turismo em torno do Ano Novo”, escreveu numa nota.
“As tensões no Médio Oriente continuarão a alimentar a inflação enquanto os preços mundiais da energia permanecerem elevados”, afirma.
No entanto, os resultados dececionantes, segundo Zichuan, do evento político conhecido como Duas Sessões, atualmente em curso em Pequim, no que diz respeito à procura interna, “devem travar qualquer aceleração da inflação assim que as tensões se acalmarem”, advertiu.
A economia chinesa procura retomar o dinamismo que tinha antes do início da pandemia da covid-19 em 2019-2020. Apesar da vitalidade das exportações e de um excedente comercial recorde de quase 1,2 biliões de dólares (1,04 biliões de euros) em 2025, enfrenta graves desequilíbrios estruturais e pressões comerciais dos Estados Unidos.
O Governo da China anunciou na semana passada que pretende atingir um crescimento entre 4,5% e 5% em 2026, a meta mais modesta estabelecida desde 1991.
Estimular a procura interna e reduzir a dependência das exportações é um dos desafios anunciados pelo Governo e mencionados no Plano Quinquenal 2026-2030, atualmente em análise por milhares de representantes do regime reunidos em Pequim para as “Duas Sessões”.
Nessa ocasião, o Governo estabeleceu uma meta de inflação de 2% em 2026.
Nos últimos meses, as autoridades tomaram medidas para estimular os gastos das famílias, incluindo um programa de subsídios para produtos eletrónicos, eletrodomésticos e móveis, e contavam com o efeito impulsionador do Ano Novo Lunar, um período em que os chineses consomem e viajam mais.
As férias atingiram uma duração oficial excecional de nove dias. As autoridades tinham anunciado previamente novas medidas para incentivar as famílias a gastar, por exemplo, sob a forma de vales de compra.
APL // VQ
Lusa/Fim
