
Díli, 08 abr 2026 (Lusa) — O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, afirmou hoje que da sua parte não há felicitações ao cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos e pelo Irão e pediu a ambos para mostrarem “decência” e “sentido de Estado”.
“Após semanas de uma campanha aérea implacável levada a cabo por Israel e pelos Estados Unidos, o assassinato do líder espiritual iraniano e da sua família, incluindo uma bebé, o ataque deliberado a uma escola claramente identificada, que matou 170 raparigas e os seus professores, depois de causar caos e perturbações no comércio internacional, arruinando muitas economias, devemos felicitá-los por concordarem com um cessar-fogo breve e temporário?”, questionou José Ramos-Horta, na sua página oficial do Facebook.
O prémio Nobel da Paz questiona também se os Emirados Árabes Unidos e outros países do Golfo deverão felicitar o Irão pelo cessar-fogo, após terem sido atacados.
“Da minha parte, não há felicitações. Cresçam, mostrem sabedoria, sentido de Estado, decência. Todos vós, sim, líderes iranianos, vocês também, parem de apoiar islamitas radicais que semeiam violência no Líbano, na Palestina, no Egito e no Iémen”, escreveu o chefe de Estado timorense na mensagem.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que Teerão afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região aliados dos Estados Unidos, como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
Desde o início do conflito, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos – entre os quais o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani – e mais de 10.000 feridos, mas desde 05 de março que não atualizam o balanço oficial.
Por sua vez, a organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, situou, na terça-feira, no 39.º dia do conflito, o número total de vítimas mortais no Irão em pelo menos 3.597, entre as quais 1.665 civis.
Na noite de terça-feira nos Estados Unidos (madrugada de hoje em Lisboa), o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que aceitou suspender por duas semanas os bombardeamentos e ataques ao Irão, num “cessar-fogo bilateral”, e após ter recebido de Teerão uma proposta de paz “viável”.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão confirmou o cessar-fogo bilateral de duas semanas com os Estados Unidos e informou que as negociações para um acordo de paz terão lugar no Paquistão a partir de 10 de abril.
A negociação do acordo de paz no Paquistão tem como base um plano de dez pontos apresentado por Teerão que inclui, entre outros, o controlo iraniano do estreito de Ormuz.
Esse estreito é uma passagem estratégica por onde transita, entre outros recursos, 20 % do petróleo mundial.
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