
Maputo, 15 mai 2026 (Lusa) – O Presidente moçambicano reconheceu hoje haver “grandes desafios” na mobilidade urbana em Maputo, apesar da recente entrega de mais de 190 autocarros a gás, avançando que decorrem esforços para construção do metro de superfície.
“Em relação à mobilidade urbana da cidade de Maputo, nós entregamos cerca de 200 viaturas (…) na segunda-feira passada, mas temos consciência que não é tudo. Ainda continuam grandes desafios da mobilidade urbana na cidade de Maputo”, disse Daniel Chapo, durante uma cerimónia de graduação de 350 estudantes, em Maputo.
Segundo o chefe de Estado moçambicano, o Governo está agora a trabalhar “a todo o gás” para que as obras do metro de superfície arranquem em breve, no âmbito do programa integrado de mobilidade urbana para a capital, que prevê também soluções complementares recorrendo a Autocarros de Trânsito Rápido (BRT, na sigla em inglês) e outras viaturas de transporte de passageiros.
“Nós temos consciência de que os `machimbombos´ [autocarros de transporte público], BRT, incluindo, portanto, o metro de superfície, os três sistemas a trabalharem juntos, aí, sim, (…) podemos considerar a mobilidade urbana da cidade de Maputo resolvida”, afirmou o dirigente moçambicano.
Aos recém-graduados, Chapo pediu que cada um seja um “agente ativo de transformação estrutural” da economia moçambicana, transformando o saber aprendido em infraestruturas sociais e negócios.
Segundo o Presidente moçambicano, à geração atual de jovens cabe a responsabilidade de dinamizar o potencial económico da nação: “Quando a história dos próximos 50 anos da nossa independência for escrita, esperamos que esta geração seja lembrada como a geração que transformou conhecimento em desenvolvimento, em força produtiva e que nos brindou com a independência económica”.
Na segunda-feira, o Presidente anunciou que Moçambique vai lançar este ano um Programa Nacional de Massificação de Gás Veicular, ao entregar mais de 190 novos autocarros movidos a gás, garantindo que esse recurso, moçambicano, já muda a vida do povo.
“Todos estes autocarros funcionam a gás natural, para minimizar o preço. Isto significa que Moçambique começa, de forma cada vez mais concreta, a transformar os seus próprios recursos naturais em soluções para reduzir o custo de vida do seu povo”, sublinhou Chapo, acrescentando: “O gás é nosso e para nós deve servir”.
Tratou-se da entrega de 190 autocarros movidos a gás, que vão servir 2,8 milhões de habitantes da cidade e província de Maputo, incluindo 40 para reforçar o transporte escolar, juntamente com outros 10 idênticos que seguiram para a província de Inhambane, também no sul do país.
Estas viaturas foram colocadas na Área Metropolitana de Maputo, com quase três milhões de habitantes, numa altura de crise de combustíveis em Moçambique, com a subida de preços, a primeira mexida em mais de um ano, devido às consequências do conflito no Médio Oriente.
O preço do gasóleo subiu em 07 de maio 45,5% e o da gasolina 12,1% por litro, com o Governo a justificar a revisão em alta dos combustíveis com os preços praticados a nível internacional.
Um litro de gasolina passou a custar 93,69 meticais (1,23 euros), face aos anteriores 83,57 meticais (1,10 euros), enquanto o gasóleo passou de 79,88 meticais (1,06 euros) para 116,25 meticais (1,54 euros). O gás de cozinha subiu de 86,05 meticais (1,14 euros) para 87,82 meticais (1,15 euros) por quilograma e o gás natural veicular de 41,11 meticais (0,54 cêntimos de euros) para 52,73 meticais (0,69 cêntimos) por litro.
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