
Maputo, 14 abr 2026 (Lusa) — O Presidente moçambicano pediu hoje ao jornal Notícias, o mais antigo do país, para continuar a servir o interesse público com “profissionalismo, rigor e sentido de Estado”, ao assinalar os 100 anos do órgão.
“Cem anos depois, renova-se uma responsabilidade que permanece atual: continuar a servir o interesse público, com profissionalismo, rigor e sentido de Estado”, disse Daniel Chapo, numa mensagem de felicitação aos profissionais do Notícias, por ocasião da celebração do seu centenário, que se assinala a 15 de abril.
Segundo o chefe de Estado, este jornal “acompanhou, registou” e, em muitos momentos, ajudou a “moldar o percurso histórico” de Moçambique, além de celebrar mais do que uma “longevidade”.
Em entrevista anterior à Lusa, o presidente do conselho de administração da Sociedade do Notícias, Júlio Manjate, disse que o jornal está a apostar no digital no seu centenário, contrariando a queda nas tiragens e levando assim as notícias no telemóvel aos locais mais recônditos de Moçambique, onde o papel dificilmente chega.
Atualmente com cerca de 150 jornalistas, o Notícias saiu à rua pela primeira vez em 15 de abril de 1926, criado pelo português Manuel Simões Vaz, tendo começado a agregar, a partir da década de 1980, já no país independente, títulos como os semanários Domingo e Desafio, além da unidade gráfica com instalações na província de Maputo, sul de Moçambique.
Com sede na cidade de Maputo e delegações nas capitais provinciais, tem como maior acionista o Estado, através do Instituto de Gestão das Participações do Estado (Igepe).
Segundo Manjate, o jornal, que agora custa 30 meticais (equivalente a 40 cêntimos de euro), sentiu o impacto da Internet nos últimos anos e o cada vez mais difícil acesso ao papel entre os fatores que obrigaram à redução da tiragem.
Entre os desafios assumidos pela empresa estatal para fazer o jornal chegar às zonas recônditas está o transporte, estando a avançar com a distribuição do jornal a partir da aplicação eletrónica criada para o efeito, tentando chegar a mais moçambicanos.
O jornal conta já com 65.000 subscritores nas plataformas digitais, com a administração a indicar que o número tende a crescer face à aposta no tipo de informações que os leitores mais procuram.
Assim, para Manjate, considerar a Internet a única responsável pela redução de tiragens é “uma falácia”, argumentando que mesmo os que têm acesso às novas tecnologias não são subscritores do jornal distribuído pela aplicação eletrónica.
Manjate apontou também o custo das matérias-primas, adiantando que a empresa passou a imprimir o que o mercado necessita para evitar prejuízos face ao risco de ter sobras de 10.000 exemplares, avançando que agora, através da Internet e no telemóvel, quer ver o jornal a ser lido nos distritos e zonas rurais.
Contudo, alertou para problemas de literacia digital que impossibilitam o crescimento acelerado do número de subscritores.
VIYS (PME) // MLL
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