
Gaza, Moçambique, 01 out 2026 (Lusa) — O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, condenou hoje a perseguição e violência contra idosos acusados de feitiçaria, alertando que tais práticas continuam a ameaçar a coesão social e o respeito pelos mais velhos em várias comunidades do país.
“Temos de cuidar dos nossos idosos. Eles são a nossa biblioteca. Eles é que nos cuidaram e continuam a nos cuidar”, declarou o chefe de Estado moçambicano, na província de Gaza, sul do país.
Falando durante um comício popular no distrito de Mapai, no âmbito de uma visita de trabalho de quatro dias àquela região, dedicada a ações de governação de proximidade, participativa e inclusiva, Chapo aproveitou as celebrações do Dia Internacional da Pessoa Idosa – assinalado hoje – para defender uma maior proteção desta camada da população.
Segundo Chapo, como os idosos são tratados atualmente terá reflexos na maneira como as futuras gerações irão encarar a velhice: “Aquilo que nós vamos fazer hoje aos nossos pais, aquilo que vamos fazer hoje aos nossos avós, aquilo que nós vamos fazer hoje aos idosos, para que amanhã os nossos filhos possam fazer a mesma coisa para nós”.
O Presidente considerou preocupantes os casos de perseguição a pessoas idosas com base em acusações de feitiçaria, fenómeno que continua a ser reportado em diferentes zonas do país.
“Não acusar idosos de feitiçaria. Não matar idosos acusando de algum mal. Porque vai chegar a sua vez, também está a ir para lá”, afirmou o Presidente, reiterando que atingir a terceira idade deve ser encarado como “uma bênção” e não como um motivo para exclusão ou violência.
O chefe de Estado disse que a proteção dos idosos deve constituir uma responsabilidade coletiva das famílias e das comunidades, defendendo uma cultura de respeito intergeracional.
“A grande mensagem que eu quero deixar para o povo moçambicano, e principalmente para os mais jovens, é que temos de cuidar dos nossos idosos”, avançou.
Durante o discurso, Chapo associou a valorização dos idosos à promoção da paz e da coesão social, argumentando que a violência, o ódio e a intolerância comprometem o desenvolvimento do país. O Presidente aproveitou igualmente para alertar contra a propagação de boatos e informações falsas, sustentando que vários episódios de violência em comunidades moçambicanas têm origem em rumores sem fundamento.
Sem mencionar casos concretos, o Presidente de Moçambique referiu-se à circulação de alegações sobre supostos poderes sobrenaturais atribuídos a determinadas pessoas e criticou a utilização desses rumores para justificar agressões.
“É mentira. É boato. É para pôr em causa a paz e a segurança do povo moçambicano”, frisou Daniel Chapo.
O governante apelou ainda aos cidadãos para denunciarem situações que possam ameaçar a convivência pacífica nas comunidades e rejeitem discursos que promovam a violência ou a divisão.
“Qualquer país do mundo, a melhor polícia que tem é o seu povo”, declarou.
Chapo defendeu igualmente a unidade entre os moçambicanos, sublinhando que as diferenças políticas, religiosas, sociais ou culturais não devem servir de justificação para conflitos: “Nenhum moçambicano tem o direito de violentar o outro moçambicano só porque pensa diferente ou tem escolhas diferentes”.
O comício integrou uma visita de trabalho do Presidente à província de Gaza, durante a qual anunciou a duplicação dos fundos disponibilizados através do Fundo de Desenvolvimento Local (Fidel), a emissão gratuita de documentos de identificação durante um ano e a entrega de meios para apoiar o combate a conflitos entre populações e animais bravios no distrito de Mapai.
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