
Paris, 06 jun 2025 (Lusa) — O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reiterou hoje a crítica à falta de representatividade geopolítica mundial na Organização das Nações Unidas (ONU) ao não incluir potências emergentes nos membros permanentes do Conselho de Segurança.
“Vocês sabem que eu defendo muito uma mudança na governança mundial. Nós não temos uma governança mundial hoje. A ONU não representa quase nada, nenhuma decisão da ONU é seguida e os cinco países que são membros permanentes do Conselho de Segurança também não obedecem”, afirmou o chefe de Estado brasileiro no encerramento do Fórum Económico Brasil-França, no hotel Intercontinental, em Paris.
Lula apelou a uma ONU “representativa” perante “um mundo cada vez mais complexo”.
“Porque é que não tem no Conselho de Segurança da ONU um país do tamanho do Brasil? O México? Porque é que não tem a Índia? Porque é que não tem a Etiópia, que tem 156 milhões de habitantes? A Nigéria com 116 milhões de habitantes? O Egito que tem 100 milhões de habitantes? Todas essas pessoas estão de fora. A Alemanha está fora. O Japão está fora porque a China não quer”, apontou.
Lula da Silva lamentou que os países não cumpram o que é estipulado nos acordos alcançados no quadro da ONU por falta de medidas de incumprimento, alertando que isso poderá acontecer com o que for decidido este ano na 30.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, no coração da Amazónia brasileira.
“A ONU que criou o Estado de Israel em 1947, por que não cria agora o da Palestina?”, questionou, referindo-se ao conflito na Faixa de Gaza desencadeado em outubro de 2023 e que já provocou mais de 54 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo Hamas, sendo bastante aplaudido por mais de uma centena de pessoas que o ouviram.
Na quinta-feira, no primeiro dia da visita de Estado de Lula da Silva em Paris, a primeira em 13 anos, durante a conferência de imprensa no Eliseu com o Presidente francês, Emmanuel Macron, o Presidente brasileiro instou o homólogo francês a aceitar o acordo comercial entre a UE e o Mercosul nos seis meses da presidência brasileira deste bloco.
“Esta travessia do Atlântico que simboliza 200 anos de amizade entre nossos países. Vamos seguir inventando o que Lévi-Strauss chamava de uma outra humanidade. Nos vemos domingo em Mónaco e depois Nice, pelos oceanos”, escreveu Macron na rede social X.
O Presidente brasileiro recebeu hoje o título de ‘doutor Honoris Causa’ na Universidade Paris 8, antes de se deslocar para a terceira conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos em Nice e depois a Lyon.
MYCO // MLL
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