
Porto, 24 abr 2026 (Lusa) — O Presidente da República, António José Seguro, disse hoje, no Porto, que a sociedade precisa de identidade, valores e princípios e, dizendo falar num momento divisionista e fraturante, fez um apelo a uma paz que não encontre fronteiras.
“Em sociedades como a nossa, precisamos de identidade. Precisamos de ter valores, princípios que nos recordem que a coesão, sobretudo em momentos muito estranhos e muito difíceis e muito divisionistas e fraturantes como aqueles que vivemos. São elementos importantes para sentirmos membros de uma mesma comunhão de valores, de princípios que todos nós desejamos e valorizamos”, disse o Presidente da República.
António José Seguro visitou hoje a Torre dos Clérigos, no Porto, para assinalar o marco de 10 milhões de visitantes.
Antes de subir os 250 degraus da torre, o Presidente da República visitou o museu, assinou o livro de honra e conversou com o presidente da Irmandade dos Clérigos, padre Manuel Fernandes, que o tornou membro honorário da Irmandade.
Depois, numa intervenção no púlpito sem perguntas de jornalistas, diante de várias personalidades da cidade, da região e da Igreja, António José Seguro recordou as palavras do papa de que a paz “é um desses valores pelos quais devemos pugnar e lutar”.
“E essa responsabilidade de edificarmos a paz, de lutarmos sempre pela paz, de resolvermos os conflitos por meios pacíficos, mas tendo sempre, sempre, sempre, sempre como objetivo a paz, não encontra fronteiras. É por isso que o Presidente da República valoriza muito as palavras do Santo Padre quando ele afirmou que a guerra é sofrimento e a paz é um dever moral que todos nós temos de lutar e de pugnar por ela”, disse.
Manifestando-se muito honrado por marcar a história da Torre dos Clérigos como visitante número 10 milhões, associou o marco ao número de portugueses.
“Agora que somos um pouco mais de 10 milhões, este número sempre serviu como bitola, diria eu, para dizer 10 milhões de portugueses residentes. Porque, felizmente, há também outros milhões bem largos de portugueses que vivem fora de Portugal e que fazem de nós uma comunidade de excelência que precisa também de ser mais unida e mais valorizada”, referiu.
Antes, António José Seguro fez elogios à cidade do Porto que disse gostar de chamar “Invicta” porque expressar “honradez, lealdade, o orgulho de ser português”.
E estendendo os elogios ao património dos Clérigos e à irmandade que o dirige, destacou a importância da obra social desta instituição sobretudo no momento atual em que é preciso “reforçar a empatia que se vai perdendo entre seres humanos” e confessou que não lhe apetecia descer a torre mas sim aproveitar mais a vista.
“Oferecem não apenas uma experiência arquitetónica de excelência, mas também uma perspetiva única sobre a identidade e a memória coletiva desta cidade, bem observada naquela volta de 360 graus que nós demos. A Torre dos Colegas é mais do que um monumento. É um símbolo vivo da identidade do Porto, mas também da identidade de Portugal”, disse.
E prometeu: “é por isso que voltarei um dia, não só para mostrar que o Presidente está em forma, mas sobretudo para recuperar energias com uma vista tão bonita, tão panorâmica, desta linda cidade do Porto”.
A 23 de setembro de 2020, a marca dos 5 milhões de visitantes da Torre dos Clérigos foi assinalada pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Para a Irmandade do Clérigos “a repetição desta coincidência no patamar dos 10 milhões” mostra “a crescente projeção nacional e internacional dos Clérigos”, lê-se num comunicado distribuído à imprensa.
Sem falar à margem da visita, António José Seguro ainda conviveu e tirou fotografias com o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte (PSD), junto a um grupo de jovens que estava no exterior da Igreja dos Clérigos, onde decorreu a cerimónia.
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