
Lisboa, 01 mai 2026 (Lusa) — Portugal é o quinto paÃs da UE com a carga horária semanal mais elevada, numa média de 39,7 horas por semana, só ultrapassado pela Grécia, Polónia, Roménia e Bulgária, indica uma análise da Pordata.
Enquanto a média no conjunto dos 27 paÃses da União Europeia (EU) foi de 37 horas de trabalho por semana em 2025, Portugal registou uma média de 39,7 horas, “uma das mais elevadas da União Europeia”, sintetiza a Pordata num retrato estatÃstico publicado a propósito do Dia do Trabalhador, que hoje se assinala.
Portugal é apenas ultrapassado pela Grécia (uma média de 41 horas de trabalho semanal), Polónia (40 horas), Roménia (40 horas) e Bulgária (39,9 horas), segundo as estatÃsticas da Pordata.
Os dados complicados pela Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, baseiam-se em estatÃsticas do Eurostat de 2025 e dizem respeito ao universo da população empregada dos 15 aos 64 anos.
A Pordata diz que “paÃses com maior prevalência de trabalho a tempo parcial, como os PaÃses Baixos, Dinamarca ou a Alemanha, registam cargas horárias médias significativamente mais baixas”.
Entre o leque dos cinco paÃses com números mais baixos, a média é inferior a 36 horas. Nos PaÃses Baixos está em 31,5 horas semanais, na Dinamarca nas 33,6 horas, na Alemanha nas 34,8, na Irlanda nas 35,7 e na Finlândia nas 35,8.
Dos cerca de 208 milhões de trabalhadores da União Europeia — 111 milhões homens e 97 milhões mulheres –, mais de cinco milhões estão no mercado laboral português.
Portugal é um dos paÃses “com mais contratos temporários entre os jovens e com nÃveis salariais abaixo da média europeia, mas também com uma das mais elevadas taxas de emprego” entre os jovens dos 25 aos 29 anos, enquadra a Pordata.
O estudo mostra ainda que o salário médio ajustado a tempo completo era, em 2024, de 2.068,2 euros em Portugal, o que compara com 3.317,3 euros na média dos 27 paÃses da UE.
O salário mÃnimo nacional, que foi de 870 euros brutos em 2025 e subiu para 920 euros em 2026, correspondia a 1.015 euros em termos mensualizados em 2025 (quando contabilizados 14 meses por ano, a soma dos 12 meses reguladores, mais o subsÃdio de férias e natal).
Na UE, quase 13% dos trabalhadores por conta de outrem (cerca de 23 milhões) têm contratos temporários”, enquanto em Portugal a percentagem está nos 15,1%, o que o mete no grupo de cinco paÃses com valores mais altos, tal como os PaÃses Baixos, Polónia, França e Espanha.
“Entre os jovens, a precariedade é particularmente elevada”, refere a Pordata, indicando que na UE “o trabalho temporário é a realidade de um em cada três, dos cerca de 36 milhões de jovens trabalhadores” e que Portugal “é o quarto paÃs com mais trabalho precário entre os jovens”.
“Quase quatro em cada 10 trabalhadores, com menos de 30 anos, têm contratos temporários. Acima de Portugal estão a Polónia (39,1%), a França (39,2%) e os PaÃses Baixos (51,1%)”, lê-se.
“Na UE, 19,2% dos trabalhadores estrangeiros tinham emprego temporário, em 2025, face a 12% entre os nacionais de cada paÃs. Portugal está entre os paÃses com maior diferença na percentagem de trabalho temporário, por nacionalidade, com quase 34% de estrangeiros e quase 14% de trabalhadores nacionais”, acrescenta a Pordata.
As estatÃsticas indicam que na UE, onde 18,8% dos trabalhadores exercem atividade a tempo parcial, “há uma grande variabilidade entre paÃses” neste indicador, com Portugal a apresentar “uma das proporções mais baixas (8,1%), em contraste com paÃses como os PaÃses Baixos, com 43,8%”.
“Na UE, o trabalho a tempo parcial é particularmente prevalente entre as mulheres (29,1% face a 9,8% entre os homens) — embora em Portugal essa diferença de género seja menos acentuada (10,4% vs 5,9%) — e entre os trabalhadores com menos de 25 anos (34,7%)”, dizem ainda.
Portugal “apresenta um valor alinhado com o padrão europeu” na proporção de trabalhadores que exercem atividade por conta própria. A média europeia está em 13,7% e em Portugal nos 14,7%.
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