Polícia timorense detém 90 estrangeiros suspeitos de atividades ilegais ‘online’

Díli, 13 jul 2026 (Lusa) — A Polícia de Investigação Criminal de Timor-Leste deteve hoje mais 90 cidadãos estrangeiros, entre indonésios e chineses, suspeitos de envolvimento em atividades ilegais ‘online’.

“Hoje realizámos duas operações. Uma em Díli onde detivemos 14 cidadãos chineses em flagrante delito. A outra ocorreu em Liquiçá, onde capturámos 75 cidadãos indonésios e um cidadão chinês. No total, as duas operações resultaram na detenção de 90 pessoas”, declarou à Lusa, por telefone, o porta-voz da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), superintendente-chefe João Belo.

As operações decorreram na zona de Comoro, em Díli, e em Ulmera, no município de Liquiçá, situado a cerca de 17 quilómetros de Díli. O objetivo foi localizar e desmantelar atividades ilícitas relacionadas com esquemas de fraude através de centros de atendimento.

“Neste momento, os detidos encontram-se nas instalações do quartel-geral da Investigação Criminal para serem submetidos ao respetivo processo de investigação”, explicou o porta-voz da PNTL.

João Belo acrescentou que a polícia está também a proceder à verificação de dinheiro apreendido, equipamentos e de outros documentos.

“Estamos a fazer as verificações”, disse o comandante, remetendo para terça-feira mais esclarecimentos.

Na semana passada, as autoridades policiais de Timor-Leste já tinham detido cerca de 200 pessoas, na sua maioria cidadãos da China, do Camboja e da Indonésia, por suspeitas de envolvimento em atividades ilegais ‘online’, sobretudo relacionadas com jogo ilegal e fraude.

Em setembro do ano passado, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) alertou para o aumento da presença de redes criminosas em Oecusse, o enclave timorense situado em território indonésio, na ilha de Timor. Segundo o UNODC, investigações recentes demonstram que a região começou a ser influenciada por atividades criminosas organizadas.

Na sequência desse alerta público, o Governo de Timor-Leste decidiu cancelar todas as licenças anteriormente concedidas para operações de jogos e apostas ‘online’, bem como suspender a atribuição de novas licenças, devido aos riscos para a segurança e a estabilidade social.

Segundo a UNODC, quando redes criminosas digitais se instalam numa determinada região, “essa região torna-se frequentemente um centro de fraude cibernética, bem como de tráfico de droga e de seres humanos”.

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