
Maputo, 11 mar 2026 (Lusa) – A primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi, pediu hoje, no parlamento, a denúncia de quem desvia produtos destinados a apoiar vítimas das cheias e inundações, afirmando que é preciso levar estas pessoas à justiça para serem responsabilizadas.
“A partir deste pódio, repudiamos e condenamos todo o tipo de comportamento, atos e práticas que culminem com o desvio da assistência humanitária destinada às vítimas das calamidades naturais”, disse a primeira-ministra, Maria Benvinda Levi, ao prestar informações à Assembleia da República, em Maputo.
“Apelamos a toda a sociedade a continuar vigilante e a denunciar as autoridades competentes este tipo de práticas para que os seus atores sejam julgados e condenados exemplarmente”, acrescentou a governante, quando são conhecidos casos do género no país, nomeadamente de apoios recebidos face às cheias de janeiro.
Devido às chuvas e inundações, o Governo decretou em janeiro o alerta vermelho, com a governante a indicar que esta ação permitiu flexibilizar e assegurar uma coordenação centralizada na resposta imediata as calamidades e reforçar o funcionamento de todo o sistema de gestão de calamidades naturais, além de preposicionar meios de salvamento, assim como providenciar assistência humanitária em bens alimentares e não alimentares diversos.
Adiantou que o Governo está a finalizar a elaboração do Plano de Reconstrução Pós-Cheias 2026 que visa assegurar a recuperação da capacidade produtiva, reconstrução definitiva e resiliente das infraestruturas económicas e sociais destruídas, assim como a restauração dos meios de subsistência das populações.
As cheias e inundações, de janeiro, disse, foram de “grande magnitude”, tendo atingido outras regiões que no passado nunca tinham sido atingidas por estes fenómenos, com o Governo a admitir preocupação com o facto de algumas pessoas não terem acatado os avisos emitidos pelas autoridades, tendo avançado com retiradas compulsivas em zonas de alto risco.
O Governo, acrescentou, está a reforçar o mapeamento das zonas de risco de ocorrência das calamidades e reassentamento das populações em zonas seguras, avançando ainda com o processo de construção de infraestruturas resilientes às mudanças climáticas, como edifícios públicos, estradas, pontes, linhas de transmissão de energia, sistemas de abastecimento de energia. Ainda, entre outros, a reabilitação e construção de barragens, represas, diques, sistemas de drenagem.
“Relativamente as infraestruturas hidráulicas estratégicas, temos vindo a mobilizar investimentos do setor público e privado, assim como a encorajar o estabelecimento de parcerias público-privadas para assegurar a construção das barragens de Moamba Major, no rio Incomáti, Mapai, no rio Limpopo e Revúbuè, no rio Zambeze, a construção de sistemas de proteção e diques em Chókwè, Xai-Xai, Ilha Josina Machel, Nova Mambone, Caia, Marromeu e Nante”, disse Maria Benvida Levi.
Pelo menos 10 funcionários públicos, incluindo a antiga administradora do distrito de Xai-Xai Argelência Chissano foram detidos na semana passada por desvio de donativos para vítimas de cheias, anunciaram as autoridades locais no final de fevereiro.
Segundo a procuradoria provincial, após as denúncias, foram executados mandados de busca em várias residências na cidade de Xai-Xai e no distrito de Chibuto, onde foram apreendidos diversos produtos, nomeadamente 218 colchões, 41 fardos de roupa usada, 63 sacos de farinha de milho, 20 sacos de arroz de 25 quilogramas, três caixas de dois litros de óleo vegetal, dois sacos de 50 quilogramas de feijão manteiga.
Moçambique já recebeu 1,3 mil milhões de meticais (17,5 milhões de euros) e 6,7 mil toneladas de produtos diversos para apoiar vítimas das inundações, anunciou na terça-feira o Governo.
O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 270, com registo de quase 870 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo a última atualização feita pelo instituto de gestão de desastres.
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