
Praia, 31 jul 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro cabo-verdiano anunciou hoje uma avaliação independente ao Instituto Nacional de EstatÃstica (INE) para apurar alegadas interferências e manipulações de dados e resgatar a credibilidade das informações oficiais após acusar o órgão de produzir relatórios falsificados.
“O paÃs foi surpreendido por denúncias graves sobre o funcionamento do Instituto Nacional de EstatÃstica, relativas a alegadas interferências e manipulação de dados. E é precisamente isso que leva este Governo a nunca fazer julgamentos precipitados, analisar as coisas com seriedade e profundidade para poder agir da melhor forma”, afirmou Francisco Carvalho, no debate sobre o Estado da Nação.
“Nosso dever que assumimos é outro: garantimos uma avaliação independente para poder proteger técnicos do INE e apurar devidamente os factos”, acrescentou.
O chefe do Governo defendeu ser “urgente” devolver a confiança dos cabo-verdianos nas estatÃsticas oficiais do paÃs.
“Os dados públicos não pertencem a nenhum Governo, mas sim a todos os cidadãos”, afirmou.
Francisco Carvalho afirmou ainda que a estatÃstica nacional “não pode servir de elemento de propaganda”, mas sim de base para a tomada de decisões, defendendo que deve “retratar com rigor a vida das pessoas, mesmo quando essa realidade incomoda o Governo”.
O primeiro-ministro anunciou também que o executivo vai publicar regularmente relatórios públicos, aplicar a lei de acesso à informação, criar um portal nacional de documentos públicos e implementar uma polÃtica de dados abertos.
“Um Governo deve assumir responsabilidade e prestar contas ao paÃs, não apenas quando tem boas notÃcias, mas também quando tem dificuldades”, disse.
As declarações surgem depois de Francisco Carvalho ter acusado, na quinta-feira no parlamento, o INE de produzir “dados falsificados” e o anterior Governo do Movimento para a Democracia (MpD) de “ludibriar” o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a evolução das contas públicas.
“Todos vimos que o próprio INE tem estado a produzir dados falsificados, são notÃcias assumidas pelos próprios trabalhadores”, referiu.
Em junho, o presidente do Conselho do INE, João Cardoso, rejeitou alegações de manipulação, falsificação ou ocultação de dados, afirmando que a instituição tinha acionado mecanismos legais para apurar a origem de cartas anónimas com acusações graves que circularam nas plataformas digitais do organismo.
Durante uma conferência de imprensa, João Cardoso sublinhou a autonomia do INE, afirmando que a instituição “não pertence a um Governo, a um partido polÃtico ou a um indivÃduo”, mas “ao Estado de Cabo Verde e serve toda a sociedade”.
O presidente do Conselho do INE defendeu ainda que a produção de indicadores sobre pobreza, emprego, inflação e crescimento económico segue padrões cientÃficos internacionais.
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