
Londres, 19 ago 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro britânico anunciou hoje um programa para proporcionar um teto a todas as pessoas sem-abrigo até ao Natal, através de fundos adicionais e de novos poderes delegados nos representantes locais.
Depois de se ter comprometido a pôr fim ao problema de milhares de pessoas que vivem na rua assim que tomou posse, a 20 de julho, Andy Burnham anunciou, num artigo de opinião publicado no jornal Guardian, que o executivo vai avançar com um programa que contará com uma dotação de emergência de 102 milhões de libras (cerca de 120 milhões de euros), que se vão somar aos 340 milhões de libras (397 milhões de euros) já anteriormente anunciados, e será gerido a nÃvel local.
“Caberá aos responsáveis locais decidir que tipo de ajuda é mais necessária nas suas comunidades”, indicou o lÃder trabalhista, acrescentando que o objetivo é garantir “que toda a gente tenha um abrigo no Natal”.
Burnham anunciou ainda que será realizada uma cimeira inédita sobre a questão dos sem-abrigo, a ter lugar em data ainda por definir no outono.
Em comunicado, o Governo especificou que vão ser criados novos alojamentos e serviços de apoio para o próximo inverno em Inglaterra, seguindo o modelo do programa implementado em março de 2020, no inÃcio da pandemia da covid-19, que permitiu acolher milhares de pessoas sem-abrigo em hotéis e estruturas de emergência.
Em reação ao anúncio de Burnham, a organização não-governamental Shelter (Abrigo) saudou “a viragem” que o programa representa, mas pediu ao Governo para adotar também polÃticas para resolver a crise global da habitação, lembrando que cerca de 178 mil crianças vivem em alojamentos temporários.
A nÃvel polÃtico, do lado da oposição, os conservadores lamentaram que o lÃder trabalhista faça um anúncio “sem plano de execução nem detalhes de financiamento”, com o partido anti-imigração Reform UK a classificar como vago o plano do governo.
De acordo com dados oficiais, o número de pessoas a viver na rua em Inglaterra atingiu em 2025 um recorde de 4.793, com o ‘think-tank’ (grupo de reflexão)Instituto de Investigação em PolÃticas Públicas a estimar que este número aumente 25% até 2030.
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