Peso do turismo na economia moçambicana caiu para 3,61% com violência após eleições

Maputo, 06 mar 2026 (Lusa) – O peso do turismo na economia moçambicana caiu em 2024 para o valor mais baixo em três anos, de 3,61% do Produto Interno Bruto (PIB), devido à violência que se seguiu às eleições gerais, segundo informação oficial.

De acordo com dados da Conta Satélite de Turismo de 2024, do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Moçambique, esse peso atingiu 4,02% do PIB em 2023 e 4,00% em 2022, após 2,46% em 2021.

Aponta que o Valor Acrescentado Bruto Direto do Turismo (VABDT) do turismo em Moçambique atingiu em 2024 os 52.403 milhões de meticais (694 milhões de euros), recuando face aos 53.784 milhões de meticais (712,2 milhões de euros).

“A redução do peso relativo do VABDT no PIB, entre 2024 e 2023, reflete a dinâmica da redução nas atividades características do turismo durante este período, associadas à instabilidade política que afetou este setor, principalmente no quarto trimestre de 2024, tendo se situado a 3,61% do total da economia”, lê-se no documento.

A Lusa noticiou em 12 de fevereiro que o fluxo de turistas em Moçambique aumentou para 1,27 milhões de turistas em 2025, traduzindo-se num aumento de quase 15% num ano.

De acordo com o ministro da Economia, Basílio Muhate, citado numa informação daquele ministério, Moçambique registou um fluxo de 1,09 milhões de turistas em 2024, um “indicador que reflete a retoma consistente e a crescente robustez do setor”.

Este crescimento registou-se num ano ainda fortemente marcado, de janeiro a março, pelos protestos pós-eleitorais, que desde outubro de 2024 provocaram mais de 400 mortos e destruição de empresas e infraestruturas públicas.

A Lusa noticiou igualmente em fevereiro que o número de turistas estrangeiros nos hotéis em Moçambique mais do que triplicou em cinco anos, para quase 760 mil em 2024, segundo dados do INE.

De acordo com o anuário estatístico do INE relativo a 2024, recentemente concluído, os hóspedes estrangeiros nos estabelecimentos hoteleiros do país passaram de 216.297 em 2020 para 757.458 em 2024, período que abrange as alterações legais que isentaram de vistos turistas de 29 países.

A província de Inhambane, no sul, considerada a mais turística do país, recebeu em 2024 um total de 170.292 turistas estrangeiros, mas esse movimento esteve concentrado na zona da capital, com 220.500 estrangeiros nos hotéis da província de Maputo, mais 179.587 na cidade de Maputo.

Já o número de hóspedes moçambicanos nos hotéis do país recuou 18%, de 1.336.088, em 2020, para 1.097.864, em 2024.

O Governo moçambicano lançou em fevereiro um novo portal para registo de vistos de turismo ‘online’, em https://evisa.gov.mz, após ter suspendido o pré-registo obrigatório em maio de 2025 por problemas técnicos no sistema.

“Através desta plataforma, todos aqueles que pretendem visitar Moçambique podem agora fazê-lo, aplicando [o pedido prévio] para ter autorização para viajar para Moçambique, obtendo o visto ‘online'”, anunciou o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga.

“Queremos, através deste meio, dar o primeiro passo para permitir que Moçambique seja de facto um destino turístico, atrativo, visitado por todos, e simplificar o processo de obtenção dessa autorização”, acrescentou o ministro, ao apresentar a plataforma.

O Serviço Nacional de Migração (Senami) suspendeu, em 19 de maio de 2025, a obrigatoriedade de comunicação de entrada em Moçambique aos turistas de 29 países isentos de visto com 48 horas de antecedência, medida inicialmente anunciada um mês antes.

Em abril de 2025 a medida gerou preocupação imediata nos agentes de viagens, dada a ausência desta imposição desde o início da isenção de vistos para turistas destes países, incluindo Portugal, em maio de 2023.

Moçambique introduziu em dezembro de 2022 o Visto Eletrónico (e?Visa) e, em maio seguinte, a isenção de vistos para cidadãos de 29 países, simplificando ainda a concessão de vistos de investimentos para períodos mais alargados a estrangeiros.

 

PVJ // CAD

Lusa/Fim