
Um relatório analisou dados de diversas investigações e identificou uma lista extensa de condições associadas ao consumo frequente de ultraprocessados. Entre elas, destacam-se problemas metabólicos, perturbações cardiovasculares, doenças respiratórias, dificuldades de memória e até impactos relevantes na saúde mental.
Os especialistas explicam que estes produtos, muitas vezes compostos por farinhas refinadas, açúcares adicionados, gorduras industriais e uma longa combinação de aditivos, interferem com mecanismos naturais do organismo, incluindo processos hormonais e respostas inflamatórias. A exposição contínua pode alterar padrões de apetite, contribuir para aumento de peso e afetar o humor.
O estudo sublinha ainda que, em muitas casas, os ultraprocessados representam mais de metade do que é consumido diariamente. A conveniência, o preço reduzido e a forte presença de marketing tornam-nos especialmente apelativos, sobretudo entre famílias com menos recursos ou com pouco tempo para cozinhar.
Para alguns grupos populacionais, evitar estes produtos torna-se difícil: a ausência de cozinhas adequadas, a falta de frigoríficos, os preços elevados e as longas jornadas de trabalho condicionam escolhas e ampliam desigualdades.
Com base nas conclusões, os investigadores defendem mudanças profundas, desde políticas mais restritivas na publicidade dirigida a crianças até incentivos que tornem alimentos naturais mais acessíveis. Sublinha-se que uma estratégia eficaz deve passar por educação alimentar, melhor rotulagem e maior regulação da indústria.
Reduzir o consumo de ultraprocessados é crucial para mitigar riscos e melhorar a saúde pública. Os especialistas apelam a que governos, escolas, profissionais de saúde e consumidores assumam um papel ativo na mudança dos hábitos alimentares.
