Pequim diz que cooperação militar entre Japão e Filipinas “agrava” tensões regionais

Pequim, 10 mai 2026 (Lusa) – Pequim acusou hoje a cooperação militar entre o Japão e as Filipinas de ignorar o “desejo comum” dos países da região de procurar a paz e o desenvolvimento e contribui para “agravar” as tensões regionais.

Jiang Bin, porta-voz do ministério chinês da Defesa, afirmou ainda em conferência de imprensa que “alguns políticos” do Japão e das Filipinas “têm difundido narrativas falsas sobre questões marítimas e difamado a China sem qualquer motivo”, algo que provoca uma “forte insatisfação” em Pequim e a que o gigante asiático se opõe “firmemente”.

“As partes envolvidas ignoram o desejo comum dos países da região de procurar a paz e o desenvolvimento e, fazendo caso omisso da oposição dos seus próprios povos, reforçam os seus laços militares para obter benefícios privados, agravando assim as tensões regionais”, afirmou o porta-voz.

Gilberto Teodoro, secretário da Defesa Nacional das Filipinas, declarou na passada terça-feira, depois de se reunir com o seu homólogo japonês, Shinjiro Koizumi, que Manila pode agora adquirir armamento militar do Japão graças à flexibilização, por parte de Tóquio, da sua política sobre transferências de equipamento e tecnologia militar.

Durante a reunião, as duas partes expressaram igualmente “séria preocupação com a evolução da situação” nos mares da China Meridional e Oriental e “sublinharam a importância de reforçar a vigilância do domínio marítimo”, em referência à crescente atividade naval chinesa na região.

Jiang recordou que o Japão lançou recentemente, pela primeira vez, mísseis ofensivos fora do seu território durante manobras militares, quebrando o princípio constitucional nipónico de “defesa exclusivamente orientada para a autodefesa”, e acusou também as Filipinas de se apoiarem em “forças externas” à região para “apoiar e encorajar as suas ações de violação de direitos”.

“O Exército chinês mantém uma determinação inabalável em salvaguardar a soberania territorial e os direitos e interesses marítimos. Exortamos os países envolvidos a deixarem de formar camarilhas e promover confrontos entre blocos, e a fazerem mais coisas que realmente favoreçam a paz e a estabilidade regionais”, concluiu Jiang.

Manila e Pequim mantêm uma disputa de soberania no Mar da China Meridional, onde, nos últimos anos, se têm registado incidentes frequentes entre embarcações e aeronaves de ambos os países.

As relações entre a China e o Japão também se tornaram tensas nos últimos meses, depois de a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter insinuado perante o Parlamento japonês no final do ano passado que uma ação militar chinesa sobre Taiwan poderia suscitar uma resposta das Forças de Autodefesa do Japão.

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