
Porto, 08 mai 2026 (Lusa) — A peça “Clube dos Poetas Mortos”, que vendeu mais de 30 mil bilhetes antes sequer de se estrear em Lisboa, vai chegar ao Teatro Sá da Bandeira, no Porto, em janeiro de 2027, anunciou hoje o Teatro da Trindade.
Com encenação de Hélder Gamboa e protagonizado por Diogo Infante e Virgílio Castelo, o espetáculo esgotou a primeira temporada em Lisboa antes da estreia, tendo depois anunciado nova série de apresentações até dezembro.
No Porto, “Clube dos Poetas Mortos” vai estar em cena de 09 a 31 de janeiro, com os bilhetes a serem postos à venda no sábado.
De acordo com o Teatro da Trindade, em comunicado, a peça vai entrar em digressão nacional depois disso.
O espetáculo nasceu da adaptação do argumento do filme “Clube dos Poetas Mortos” (1989) pelo próprio autor, Tom Schulman, vencedor do Óscar de melhor argumento original, mantendo a história ambientada em 1959, num colégio interno masculino, marcado por um ensino rígido e espartilhado, assente nos quatro pilares da “tradição, disciplina, honra e excelência”.
No final de um ensaio para jornalistas, em abril, Hélder Gamboa, de lágrimas nos olhos, confessou que, por mais vezes que veja, não consegue conter a emoção, tal como a sentiu da primeira vez que viu o filme, ainda adolescente.
O encenador recordou que já não via o filme há muito tempo e que pediu especificamente a toda a equipa técnica que não o visse agora, para as influências cinematográficas não se imporem na produção do espetáculo.
Quanto à peça, viu-a em Paris, depois de ter lido o texto, mas, mesmo sem querer, há pontos que vai buscar ao filme, porque “está muito presente na memória” coletiva.
Sobre o elenco, composto por atores como Dany Duarte, Diogo Fernandes, Diogo Mesquita, Jaime Pinto Gamboa, João Maria Cardoso, João Sá Nogueira, Nuno Represas, Rafael Leitão e Rui Pedro Silva, o encenador contou que foram selecionados através de ‘casting’ e que, “de repente, as peças encaixaram e eles são perfeitos para o que estão a fazer”, elogiando o trabalho coletivo.
Na mesma altura, em declarações aos jornalistas antes da estreia em Lisboa, também Diogo Infante, que interpreta o professor de literatura John Keating, sublinhou a atualidade da mensagem da história, considerando que “o que é estranho é pensar que hoje em dia continua a ser necessária”, num contexto de “outras revoluções e outras guerras” e possíveis “retrocessos do ponto de vista das conquistas dos direitos”.
Para o ator, diretor artístico do Teatro da Trindade, é essencial que “as novas gerações possam ouvir estas palavras e perceber que a sua identidade, a sua individualidade não pode nem deve ser posta em causa por ninguém”, defendeu.
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