
Pequim, 07 abr 2026 (Lusa) — O líder de Taiwan, Lai Ching-te, afirmou hoje que a paz entre Taipé e Pequim “deve basear-se na força” e não ser um “presente de ditadores”, no arranque da visita à China da líder da oposição, Cheng Li-wun.
“O significado da paz não é apenas a ausência de guerra, mas também a garantia da soberania e, simultaneamente, a preservação do sistema de vida democrático que o povo tem vindo a construir ao longo de muitos anos”, afirmou o chefe de Estado durante um evento público, citado num comunicado da Presidência.
Embora Taiwan tenha alcançado “progressos consideráveis” no plano democrático, continua a enfrentar “pressão” e “ameaças” por parte da China, sublinhou Lai, no poder desde maio de 2024.
“Quanto à paz, é preciso ter ideais e não ilusões; procurar a paz, tal como procurar a democracia, deve basear-se na força e não em presentes de ditadores. Só com força se pode alcançar uma paz real”, afirmou.
Durante o discurso, Lai reiterou que Taiwan “não faz parte da República Popular da China” e defendeu o direito da ilha a manter um modo de vida assente na “democracia, liberdade e respeito pelos direitos humanos”.
“Esta é a era em que o povo taiwanês procura a democracia, e isso não deve ser interpretado como uma provocação à China”, acrescentou, reiterando a disponibilidade para dialogar com Pequim em condições de “igualdade” e “dignidade”, com vista a promover a paz e o desenvolvimento em ambos os lados do estreito.
As declarações surgem no mesmo dia em que o presidente do Kuomintang (Partido Nacionalista), Cheng Li-wun, partiu para a China para uma visita de seis dias, a primeira de um líder em funções daquele partido em quase uma década.
A deslocação ocorre num momento sensível, a poucas semanas de um possível encontro em Pequim entre os líderes dos Estados Unidos e da China, e num contexto de bloqueio parlamentar, por parte do Kuomintang e do Partido Popular de Taiwan, à proposta do Governo taiwanês de aumentar a despesa em Defesa em cerca de 40 mil milhões de dólares (34,6 mil milhões de euros).
Apesar da aproximação recente entre o Partido Comunista da China e o Kuomintang, os governos da China continental e de Taiwan — este liderado pelo Partido Democrático Progressista — não mantêm contactos oficiais desde 2016.
Pequim considera Taiwan uma “parte inalienável” do seu território e não excluiu o recurso à força para assumir o controlo da ilha, posição rejeitada pelo Governo de Taipé, que defende que apenas os cerca de 23 milhões de habitantes podem decidir o futuro político do território.
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