Patriarca Latino de Jerusalém indignado com profanação de estátua de Jesus no Líbano

Roma, 20 abr 2026 (Lusa) – O Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, expressou hoje “profunda indignação” pela profanação, por um militar israelita, de uma estátua de Jesus numa aldeia libanesa habitada por cristãos.

Num comunicado da Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa assinado por Pizzaballa, este manifestou a sua “condenação sem reservas” pela profanação e destruição, a marteladas, de uma imagem de Jesus crucificado, perpetrada por um soldado israelita no Líbano, classificando tal ato como “uma grave afronta à fé cristã”, juntamente com “outros incidentes de profanação de símbolos cristãos reportados”.

O cardeal condenou o que descreveu como “uma preocupante falha na formação moral e humana” e reiterou o apelo do Papa Leão XIV para uma paz “desarmada e libertadora”.

Uma foto de um soldado do Exército de Israel a usar a parte cega de um machado para destruir uma escultura no jardim de uma família cristã, numa aldeia do sul do Líbano, gerou hoje condenação generalizada.

Um acordo de cessar-fogo foi alcançado a 16 de abril entre o Líbano e Israel – em guerra desde 02 de março -, com a duração prevista de dez dias, durante os quais os dois países deverão negociar um plano mais pormenorizado para alcançar uma paz duradoura.

A 02 de março, o Líbano foi arrastado para o conflito regional desencadeado a 28 de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, quando o movimento xiita libanês Hezbollah, aliado de Teerão, efetuou um ataque com morteiros a Israel, que a partir de então bombardeou intensamente o sul do país, primeiro com ataques aéreos e depois com uma ofensiva terrestre, com artilharia e blindados.

Apesar do cessar-fogo de duas semanas acordado a 07 de abril entre os Estados Unidos e o Irão, que, em princípio, devia aplicar-se a ambas as partes no conflito e respetivos aliados, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou então que este não abrangia o Líbano, e o seu Exército lançou horas depois a maior vaga de ataques aéreos sobre o país desde o início da guerra.

Em apenas dez minutos, Israel bombardeou 100 alvos em território libanês, fazendo pelo menos 254 mortos e 1.165 feridos, segundo a Defesa Civil libanesa, e prosseguiu desde então os ataques, inclusive depois da entrada em vigor da trégua de dez dias.

O conflito fez, até agora, no Líbano, mais de 2.000 mortos e milhares de feridos, e mais de um milhão de civis deslocados internamente, o que representa cerca de um quinto da população libanesa, na sequência de ordens de evacuação do sul do território emitidas pelo Exército israelita.

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