Partido do Presidente Petro torna-se força dominante no parlamento da Colômbia

Bogotá, 09 mar 2026 (Lusa) – A coligação de esquerda do Presidente Gustavo Petro tornou-se o partido com maior representação no parlamento da Colômbia, meses antes das eleições que irão escolher o sucessor do atual chefe de Estado.

Com mais de 97% das urnas apuradas, a Pacto Histórico confirmou os ganhos no Congresso, tal como em 2022, ano em que Petro se tornou o primeiro presidente de esquerda na história do país e o primeiro ex-guerrilheiro a chegar ao poder.

O Pacto Histórico lidera a votação para o Senado com mais de quatro milhões de votos, enquanto o Centro Democrático (direita), partido do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), ocupa o segundo lugar com cerca de 2,8 milhões de votos.

De acordo com as projeções da imprensa local, o Pacto Histórico deverá conquistar 24 lugares no Senado (câmara alta do parlamento), mais quatro do que em 2022.

Mais de três mil candidatos concorreram a 285 lugares legislativos — 102 no Senado e 183 na Câmara dos Representantes (câmara baixa do parlamento). Havia 41,2 milhões de eleitores aptos a votar.

Também no domingo, realizaram-se três consultas interpartidárias para a Presidência, nas quais mais de seis milhões de pessoas votaram em 16 candidatos.

Os conservadores terão como candidata Paloma Valencia, enquanto o bloco central escolheu a antiga autarca da capital Bogotá, Claudia López.

O vencedor das primárias da Frente da Vida, formação de centro-esquerda, foi o senador Roy Barreras, derrotando o antigo autarca de Medellín, Daniel Quintero.

Mas o favorito nas sondagens é o senador de esquerda Iván Cepeda, candidato pela coligação Pacto Histórico.

“Hoje [domingo] começa a nossa segunda volta. Com uma bancada forte e empenhada, vamos iniciar uma nova etapa de transformações”, disse Cepeda.

O candidato enviou uma mensagem aos adversários, afirmando que aprofundar as mudanças que, no seu entender, a Colômbia precisa, “não é extremismo, nem significa dividir o país”.

No domingo, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (UE) destacou a transparência nas eleições para o Senado e Câmara dos Representantes da Colômbia.

“A transparência será cumprida”, garantiu o chefe da missão, o eurodeputado espanhol do Partido Popular (PP) e vice-presidente do Parlamento Europeu, Esteban González Pons, numa declaração aos jornalistas ainda antes do encerramento das eleições.

González Pons precisou que a missão conseguiu documentar cerca de um milhão de testemunhas eleitorais nas mesas de votação, que foram inscritas pelos partidos políticos para vigiar a integridade das eleições.

“Há um milhão de testemunhas inscritas e pelo menos 70%, de acordo com as informações que temos desde o início, já estão presentes nas mesas; o resto está a chegar”, garantiu.

A UE enviou uma missão eleitoral composta por cerca de 40 observadores.

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