
Maputo, 27 abr 2026 (Lusa) – O presidente do parlamento angolano, Adão de Almeida, destacou hoje, em Maputo, a “relação espontânea” entre Angola e Moçambique, pedindo união entre os parlamentos para a defesa dos seus interesses no continente africano e na lusofonia.
“Moçambique e Angola partilham uma história longa e comum. Partilharam e partilham desafios ao longo da história, desafios no presente. Soubemos sempre estar juntos nos mais diferentes momentos da nossa história e a relação que existe entre os nossos dois povos, relação espontânea, não nos deixa dúvidas sobre a relação que deve continuar também a existir entre as várias organizações e instituições do Estado”, disse o presidente do parlamento angolano, Adão de Almeida.
O responsável falava na Assembleia da República de Moçambique, durante a visita que efetua ao país para estreitar a cooperação entre os dois parlamentos, onde afirmou que as relações com Moçambique são de “excelência”, referindo que a visita é sinal do desejo de continuar esta cooperação.
Os parlamentos de Moçambique e Angola têm um protocolo de cooperação de há mais de duas décadas, tendo assinado hoje uma adenda a estes instrumentos que vai reger a relação até 2028, prevendo-se um conjunto de ações entre parlamentares, incluindo a troca de experiências para resolver problemas das populações.
Adão de Almeida lembrou que os parlamentos de Moçambique e Angola estão juntos em diferentes mecanismos internacionais de cooperação, incluindo na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, sigla em inglês) e na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), pedindo união das duas assembleias na defesa dos seus interesses.
“Esta é uma oportunidade para concertação de posições e de reafirmação de compromisso para o nosso posicionamento, quer ao nível das estruturas da SADC, quer ao nível da CPLP (…) para que, enquanto parlamentos nesses mecanismos, mas também nos mecanismos continentais ao nível do parlamento Pan-africano, possamos Moçambique e Angola estar juntos na defesa das nossas ideias, na defesa das nossas propostas e na defesa dos nossos interesses enquanto países e enquanto povos”, defendeu.
Também a presidente do parlamento moçambicano, Margarida Talapa, destacou a “história comum” entre Moçambique e Angola, referindo que existem laços de amizade construídos desde a luta contra o colonialismo português, e disse que a visita de Adão de Almeida vai ajudar a estreitar as relações de cooperação entre os dois povos.
“Queremos consolidar a nossa relação parlamentar, precisamos provavelmente de fazer mais esforço, nós os parlamentares, para irmos seguindo o nível cooperação bilateral existente entre os nossos Governos. Representamos o povo, por isso também devemos ouvir aquilo que as nossas populações precisam e levarmos para que os dois parlamentos possam comungar os mesmos ideais que comungam os nossos Estados ou os nossos governos”, disse Talapa.
A presidente do parlamento moçambicano agradeceu o apoio que Angola deu a Moçambique durante as cheias de janeiro, referindo que foi um período em que o país perdeu vidas humanas e diversas infraestruturas, elogiando a solidariedade do povo angolano.
“Queríamos, em nome dos moçambicanos, agradecer o apoio dos angolanos, esta solidariedade e dizer que sempre, como fizemos ontem, estivemos juntos na luta de libertação dos nossos países. Hoje também precisamos de estar juntos nesta luta pela independência económica dos nossos países (…) Se estivermos mais juntos, poderemos criar melhores condições para os nossos povos”, defendeu Talapa.
Adão de Almeida iniciou no domingo uma visita a Moçambique, que vai decorrer até 30 de abril, como anunciou anteriormente o parlamento moçambicano.
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